A vitória do “sim” no plebiscito que decidiu a inserção da Costa Rica no Tratado de Livre Comércio das Américas (TLC) deve-se a uma campanha de mentiras e medo articulada pela presidência do país, disse o pastor Melvin Jiménez, da Igreja Luterana Costarricense (ILCO), em carta dirigida às congregações.

Empresas nacionais, e sobretudo estrangeiras, mesmo que proibidas por lei, contribuíram com “excessivos aportes econômicos” para a campanha do “sim”. Também os meios de comunicação, acusou Jiménez, aderiam à campanha, rompendo, inclusive, a trégua acordada de não fazer propaganda a três dias do plebiscito.

A mídia divulgou que, se aprovado o “não” no plebiscito, o país entraria no caos por causa da perda maciça de empregos e paralisação da economia. “O Tribunal Supremo de Eleições permitiu essas grandes e evidentes iniqüidades jurídicas, financeiras e o acesso aos meios de comunicação a favor do ‘sim’”, apontou o pastor.

Apesar da frustração do resultado no plebiscito, Jiménez assinalou que o grande ganho nesse processo, principalmente nos últimos meses, foi a conformação de um movimento social diverso de agricultores, trabalhadores, mulheres, ambientalistas, empresários, sindicalistas e cristãos, que conseguiram “despertar a consciência de mais de 700 mil costarriquenhos que se manifestaram pelo ‘não’ no plebiscito”, avaliou o pastor da ILCO.

Segundo Jiménez, a Costa Rica já não é mais a mesma depois do dia 7 de outubro, “porque esse movimento de milhares e milhares de costarriquenhos ganhou o direito de ser interlocutor legítimo em qualquer diálogo nacional que busque melhorar as condições de vida do povo”.

Junto com as outras organizações sociais que defenderam o “não” no plebiscito, a ILCO exige que sejam esclarecidas todas as irregularidades que ocorreram antes e durante o processo eleitoral, tipo o uso de recursos públicos por parte do presidente da República, a beligerância política e o rompimento da trégua eleitoral pelos meios de comunicação, do governo e da Aliança pelo Sim.

A ILCO promete, na carta pastoral, continuar a vigilância e acompanhar as lutas para enfrentar qualquer ação que tente prejudicar os irmãos mais pequeninos, sobretudo a chamada Agenda de Implementação, tão nociva quanto o próprio TLC. A igreja continua em oração e estudo da Bíblia, “pedindo a Deus sabedoria e força para ser conseqüente na defesa dos mais humildes e excluídos na nova etapa de vida do povo costarriquenho”.

Fonte: ALC