A Igreja Luterana Costarriquenha (Ilco) abraçou a bandeira do “não” ao Tratado de Livre Comércio (TLC). A nação responderá o que pretende quanto ao TLC em plebiscito agendado para o dia 7 de outubro.

O bispo da Ilco, reverendo Melvin Jiménez Marin, vem sendo uma das vozes da campanha. Dizer não ao TLC no referendum “é um dever de todo cristão que se preze a seguir os passos dos profetas e de Jesus, que sempre estiveram ao lado dos mais pobres e desfavorecidos. Sabemos o que os TLCs fizeram no México e no Chile, e agora fazem nos países centro-americanos, pois trouxeram riqueza para uns poucos ricos e miséria e pobreza às grandes maiorias”, declarou.

No marco dessa campanha foi realizado, no dia 30 de agosto, no salão de ex-presidentes da Assembléia Legislativa o painel “Relatório Centro-Americano de Direitos Humanos, implicações do TLC na região e a situação atual na Costa Rica”.

O coordenador do Programa Jurídico da Ilco, Rubén Chacón Castro, disse que o Relatório Centro-América 2005 – 2006 é “uma crônica sobre a problemática dos direitos humanos” sob a visão de diversas organizações da sociedade civil que trabalham a temática de Direitos Humanos na Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Honduras, Costa Rica e Panamá.

O relatório expõe temas como violência e impunidade, violência contra as mulheres, violência contra a infância, faz uma análise da deterioração normativa das garantias legais dos Direitos Humanos e do não-cumprimento dos compromissos internacionais em relação aos mesmos.

Segundo Chacón, o Relatório procura fundamentar três questões: 1) a problemática dos Direitos Humanos tem um substrato econômico que será modificado com a aprovação do TLC em sua orientação mais negativa; 2) o relatório configura-se como uma referência alternativa para o estudo dos Direitos Humanos nos países da América Central; 3) é um esforço de organizações da sociedade civil centro-americana que trabalha diretamente com os Direitos Humanos.

Jiménez Marin destacou que “as igrejas não podem ser indiferentes, pois não há separação entre a fé e a realidade”. Ele manifestou, assim, o firme apoio da Ilco às organizações sociais mobilizadas.

O bispo também ampliou o chamado, pedindo ao povo evangélico que assuma uma posição ativa frente ao referendum, tendo em vista que o TLC resulta numa ferramenta de violação aos Direitos Humanos e uma decisão nefasta para a Costa Rica.

Fonte: ALC