A Igreja Luterana está fora da lista de 2.075 religiões mostradas no computador dos recenseadores. IBGE diz que não existe um banco de dados de religiões.

Os cultos da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) estão diferentes. Agora, os pastores são porta-vozes de um recado importante para a comunidade luterana: como assinalar de forma correta sua religião no questionário do Censo 2010, já que a IECLB não está entre as igrejas elencadas.

Em Quinze de Novembro, no noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, município do Brasil com maior número de luteranos – conforme pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, de 2007, na qual 80,37% da população declarou a religião –, o tema tomou às ruas. As cerca de 1.120 famílias luteranas da cidade não conseguem entender como a igreja está fora da lista de 2.075 religiões mostradas no computador dos recenseadores. O pedreiro Sergio Valdir Solf, 49 anos, ex-presidente da comunidade no município, foi dos mais questionados:

– As pessoas me perguntam se a nossa igreja tem algum problema por não constar na lista do IBGE.

O questionamento da exclusão da igreja na lista do Censo partiu dos próprios recenseadores da cidade. Sabendo que o município tem o maior índice de luteranos do país, estranharam o nome não constar nas sugestões.

– Nós pedimos orientação ao IBGE e nos informaram que deveríamos escrever por extenso o nome da igreja – diz a recenseadora Patrícia Müller.

No portal da IECLB uma carta assinada pelo presidente da instituição, Walter Altmann, orienta como os membros da comunidade devem responder ao Censo.

– Nosso medo é que, não encontrando a opção correta, as pessoas marquem alternativas parecidas dentre as 48 com o termo “luterana” disponíveis na lista, distorcendo os dados – explica Altmann.

A orientação é que escrevam Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil ou marquem a designação que inclui o termo “confissão luterana”.

A indignação da comunidade é porque igrejas menores fiéis, estão na lista. Segundo a presidência da IECLB, são 720 mil no Brasil.

“Algumas das designações são absurdas”

A não inclusão da IECLB na relação do IBGE está sendo criticada pelos luteranos , como explicou em entrevista abaixo ao jornal Zero Hora, o pastor presidente da Igreja no Brasil, Walter Altmann (foto abaixo).

Como a IECLB descobriu que não estava na lista?

Walter Altmann – Nós recebemos informações de membros da igreja que estavam confusos com a orientação geral que os recenseadores receberam, em que a única sugestão colocada específica para os recenseadores quanto a luteranos falava de “luterano pentecostal”, uma designação que nenhum luterano estaria empregando.

A igreja procurou o IBGE?

Consultado, o IBGE nos enviou a relação das designação das religiões que estão inseridas no computador que o recenseador leva consigo. São ao todo 48 designações com o termo luterana e entre elas não se encontra Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, que sabidamente reúne em torno de três quartos de todos os luteranos do país. O IBGE informou que pode ser acolhido pelo recenseador aquela designação que o recenseado determinar.

A que se deve a indignação da comunidade?

Altmann – Algumas das designações são absurdas, que possivelmente, alguém no Censo passado deve ter usado. Nós acreditamos que um instituto como o IBGE teria condições de um lado colocar o nome correto das maiores igrejas luteranas do país e, de outro lado, excluir aquelas que foram indicadas por um número ínfimo de pessoas, que provavelmente tenham distorcido o nome da igreja a qual pertencem. Além disso, diante de tantas opções, nossa preocupação é que cada membro da comunidade opte por uma alternativa diferente, por estar confuso.

Os dados obtidos serão confiáveis?

Altmann – O que nós não sabemos exatamente é o objetivo que o IBGE tem. Se é apenas saber o número de pessoas, que de alguma forma, se designam luteranos, o número pode chegar perto do real.
O que diz o IBGE

Religião faz parte apenas do questionário por amostra, assim, somente 11% da população brasileira responderá “Qual a sua religião ou culto”. É uma das perguntas autodeclaradas, ou seja, a pessoa escreve a sua resposta.

Não existe um banco de dados. É como o browser do computador: no momento que você começa a digitar uma palavra, ela te oferece algumas alternativas de resposta, baseadas em informações colocadas em censos anteriores. No entanto, se nenhuma corresponder a religião da pessoa, ela poderá digitar outra. Qualquer religião pode ser escrita, não há nenhuma restrição.

Fonte: Zero Hora