Na carta, os dissidentes qualificaram de “lamentável e, de fato, vergonhosa” a mediação da hierarquia católica local ante as autoridades.

A Igreja cubana assegurou, nesta sexta-feira, que manterá a mediação para libertar os presos políticos na ilha, apesar de uma carta de “conteúdo ofensivo” que um grupo de dissidentes cubanos enviou ao papa Bento 16, na qual dizem desaprovar duramente a atuação da hierarquia eclesiástica.

“A Igreja em Cuba não desviará sua atenção daquilo que a motivou a agir neste processo: a reivindicação humanitária de famílias que sofrem com o encarceramento de um ou mais de seus membros”, disse, em nota, o arcebispado de Havana, presidido pelo cardeal Jaime Ortega.

Segundo o documento, quando a Igreja aceitou a missão, sabia que esta mediação “poderia ser interpretada das mais diferentes maneiras e provocar reações diversas: do insulto e da difamação à aceitação e ao agradecimento. Permanecer inativa não era uma opção válida para a Igreja por sua missão pastoral”.

Um grupo de dissidentes radicais enviou uma carta ao papa, com uma lista de 165 nomes, na qual qualificaram de “lamentável e, de fato, vergonhosa” a mediação da hierarquia católica local ante as autoridades, em virtude da qual serão libertados 52 presos políticos, remanescente de um grupo de 75 dissidentes condenados em 2003.

A metade destas pessoas já foi libertada desde 7 de julho e viajou para a Espanha, acompanhada da família.

“Uma mediação correta sobre o tema teria implicado ouvir as reivindicações das duas partes e conciliá-las. No entanto, a solução do desterro (…) só beneficia a ditadura”, criticou o texto dos dissidentes, entre os quais estão Martha Beatriz Roque, Vladimiro Roca e Jorge Luis García (“Antúnez”).

A nota do arcebispado de Havana esclareceu que a ação da Igreja em favor do respeito à dignidade e a harmonia social em Cuba “não se apoiou, nem se apoiará nunca, em tendências políticas, nem nas do governo, nem nas de quem se opõem, mas apenas em sua missão pastoral”.

Esta ação “é algo que o Papa Bento 16 conhece muito bem” e foi reconhecida, há uma semana, pelo porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, concluiu a nota.

[b]Fonte: Folha Online[/b]