A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecida como Igreja Mórmon, tem em Portugal vinte centros de pesquisa que permitem a qualquer cidadão traçar árvores genealógicas até o século 16.

Abertos a todos e de acesso gratuito, os centros disponibilizam microfilmes com registros paroquiais de Portugal que permitem recuar cinco séculos e os únicos requisitos para proceder a uma busca são o tempo e a paciência.

Na capital portuguesa, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem o Centro da História da Família – Biblioteca Genealógica de Lisboa, na Avenida Almirante Gago Coutinho, e um pólo em Benfica, mas existem outros locais de pesquisa de norte a sul do país, na Madeira e nos Açores.

“Quando o usuário da biblioteca a visita pela primeira vez, preenche um gráfico de linhagem onde coloca o seu nome, a freguesia, o concelho, o distrito e o país onde nasceu e a data de nascimento, dando as mesmas informações para os pais, avós e bisavós”, explicou Justino Cardoso, diretor do centro, adiantando que essas informações servem de ponto de partida para a pesquisa.

Se a memória familiar não for suficiente para obter estes dados, é possível encontrá-los nas conservatórias do registro civil ou nos arquivos distritais, para onde a informação transita cem anos após o nascimento da pessoa e onde os voluntários da Igreja Mórmon fazem as microfilmagens, autorizadas por um acordo celebrado com o Estado.

“O Centro da História da Família – Biblioteca Genealógica de Lisboa reúne de 600 a 700 microfilmes com registros paroquiais, podendo cada microfilme conter vários anos da mesma freguesia ou até de freguesias diferentes”, acrescentou o responsável.

Os dados mais antigos remontam ao século 16, “pois foi por decisão do Concílio de Trento [realizado entre 1545 e 1563] que passou a ser obrigatório o registro de nascimento ou batismo, de casamento e de óbito de cada pessoa” – explicou Justino Cardoso à Agência Lusa.

Mesmo assim, existem lacunas nos registros portugueses e estrangeiros devido a vários fatores, caso de acontecimentos históricos, como a Revolução Francesa, e catástrofes naturais, como o terremoto que devastou Lisboa em 1755.

No acervo do Centro da História da Família – Biblioteca Genealógica de Lisboa, a pesquisa é feita por local de nascimento, em uma sala de leitura com nove monitores, onde são visualizadas as imagens dos livros de registros paroquiais.

“Há quem venha cá apenas para saber mais sobre a própria família, mas também há quem recorra ao serviço porque está fazendo uma tese e precisa saber quantas pessoas nasceram, morreram e de que causas em determinado período”, indicou o responsável, acrescentando que o espaço é freqüentado por “pessoas de todas as idades e todos os níveis, incluindo advogados, médicos e até ministros”.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ainda não filmou os registros paroquiais que estão na posse da Igreja Católica nas Dioceses de Lamego e Bragança, estando em fase de tratamento alguns registros relativos à parte norte do Distrito de Lisboa.

Fora estas exceções, “se não há microfilme, é porque não existe registro”, assegurou Justino Cardoso, segundo quem “qualquer pessoa pode freqüentar a Biblioteca e ver os microfilmes gratuitamente, tendo apenas que pagar os portes se necessitar de um microfilme que tenha de ser requisitado aos serviços centrais, localizados em Salt Lake City, no estado norte-americano do Utah”, onde está a biblioteca que reúne registros de quase todo o mundo, incluindo Portugal.

Justino Cardoso esclareceu ainda que “qualquer pessoa pode fazer pesquisa na biblioteca para vender a terceiros, mas a Igreja não tem parte nesses negócios nem lucra nada com isso”.

A Biblioteca Genealógica de Lisboa começou a disponibilizar os microfilmes ao público nos anos oitenta e atualmente existem diversos outros Centros de História da Família em Portugal continental – Alverca, Braga, Beja, Coimbra, Faro, Leiria, Miratejo (Corroios), Oeiras, Ovar, Portimão, Porto (com dois pólos), Póvoa do Varzim, Setúbal, Viseu – e nas ilhas: Funchal, Ponta Delgada e Angra do Heroísmo.

Também é possível proceder a buscas através da Internet, no site www.familysearch.org, onde se lê que a Igreja Mórmon tem mais de 3.500 pontos de pesquisa no mundo.

O Centro da História da Família – Biblioteca Genealógica de Lisboa é parte da Biblioteca de História da Família (Family History Library) que, por sua vez, integra a Sociedade Genealógica do Utah, que surgiu em 1894, financiada pela Igreja de Jesus Cristos dos Santos dos Últimos Dias.

A Sociedade começou a microfilmar em 1938 e já percorreu mais de 110 países através de uma rede que inclui centenas de pessoas especializadas em história, estudos das regiões, biblioteconomia, micrografia e vários idiomas. Cerca de 200 câmaras estão atualmente microfilmando registros em mais de 45 países.

Os microfilmes originais estão depositados nas Montanhas Rochosas, em Utah, em uma estrutura à prova de terremotos e de ataque nuclear, que a Igreja chama de “Cofre das Montanhas de Granito”. O depósito guarda as películas sob 200 metros de granito, em uma atmosfera com temperatura e umidade controladas.

A coleção da Sociedade Genealógica do Utah inclui mais de 2,4 milhões de rolos de registros genealógicos microfilmados, 742 mil microfichas, 310 mil livros, fascículos e outros formatos, 4.500 periódicos e 700 recursos eletrônicos.

A página de internet alojada em www.familysearch.org informa ainda que a Sociedade Genealógica do Utah disponibiliza um Arquivo Ancestral com mais de 35 milhões de nomes ligados a famílias, um Índice Genealógico Internacional com mais de 125 milhões de nomes e um Arquivo de Recursos de Linhagem, que contém mais de 80 milhões de nomes, também ligados a famílias.

Em Portugal, além dos Centros da História da Família da Igreja Mórmon, é possível obter informação para construir uma árvore genealógica na Torre do Tombo, na Santa Casa da Misericórdia (devido à roda dos expostos) e nos arquivos militares.

Fonte: EFE