O porta-voz da Associação Patriótica Católica da China, Liu Bainian, disse hoje à agência Efe que o Vaticano apóia os católicos clandestinos chineses, excluídos da sua entidade, que conta com a autorização do Partido Comunista da China (PCCh).

“A realidade é que o Vaticano apóia os católicos clandestinos na China. Mas, nos últimos anos, tem avançado, pedindo que os clandestinos se mostrem”, declarou Liu à Efe, na sua interpretação da carta aberta enviada aos católicos pelo Papa Bento XVI, em junho.

A Igreja Patriótica conta hoje com 5,5 milhões de fiéis. A “igreja clandestina”, que reconhece a autoridade papal e sofre o assédio do poder comunista, tem o mesmo número.

O jornal oficial “China Daily” publicou hoje declarações do porta-voz da igreja oficial, afirmando que “o Vaticano quer escolher bispos que se opõem ao PCCh”.

“Há um erro de tradução no ‘China Daily’. O que eu disse é que não permitimos que o Vaticano escolha bispos que se opõem ao socialismo e ao PCCh, esta é a posição da minha igreja”, esclareceu.

Uma das exigências da China para restabelecer laços diplomáticos com o Vaticano é que o Papa não interfira na nomeação de bispos.

A segunda condição é que o vaticano rompa seus laços com Taiwan.

“Não podemos esperar que Roma e Pequim estabeleçam relações para nomear bispos. A missão da Igreja Católica na China é transmitir a palavra de Deus”, disse Liu.

Ele anunciou que a nomeação de bispos vai se acelerar porque as dioceses chinesas registram um “déficit”. “Muitos dos atuais bispos são idosos, 30 deles têm mais de 80 anos. Temos uma grave necessidade de bispos”, explicou.

Na atualidade a China conta com 70 bispos, metade na faixa dos 40 anos. Das suas 97 dioceses, 40 estão sem bispo.

Fonte: EFE