No ano em que se comemora os 500 anos de nascimento João Calvino, os 150 anos do início do presbiterianismo no Brasil e os 90 anos da primeira igreja evangélica em Bauru, o município sediou a 6.ª Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana Independente (IPI) do Brasil, encerrada ontem.

Durante o evento, que reuniu cerca de 200 representantes da igreja de todo o País, ficou decidido que a IPI terá faculdades voltadas particularmente à área do meio ambiente, na Grande São Paulo.

Segundo o presidente da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, reverendo Assir Pereira, as obras serão iniciadas já no segundo semestre. A previsão é que comece a funcionar em 2011. Será a primeira vez que a igreja contará com uma faculdade não especificamente de teologia. “Nós temos uma fundação chamada Eduardo Carlos Pereira, que é mantenedora das nossas faculdades de teologia. Temos uma em Fortaleza, outra em Londrina e uma em São Paulo, que tem 105 anos de fundação, celebrados neste ano”, comenta Pereira.

Trata-se de uma das instituições teológicas mais antigas da América Latina. “Como grande projeto da igreja tirado na 6.ª Assembléia temos a aprovação da reforma da educação teológica da nossa igreja. Isso significa que a faculdade será instalada, fazendo parte de um aglomerado de faculdades, com vistas à nossa futura universidade”, acrescenta. Para o presidente da IPI, todas as datas comemorativas também foram o ponto alto do evento realizado em Bauru.

Ele, considerado hóspede oficial do município pelo prefeito Rodrigo Agostinho, destaca ainda a presença de Walter Altmann, presidente do Conselho Mundial de Igrejas – organismo sediado em Genebra que congrega cerca de 600 milhões de cristãos no mundo. Trata-se do primeiro brasileiro a presidir a entidade. Também veio a Bauru Yar Manso, moderador da Igreja Presbiteriana em Gana, África, destaca o reverendo Antonio Pedro de Morais, pastor titular da igreja em Bauru. “Tivemos ainda a presença do deputado Vaz de Lima, que é presbiteriano independente”, comenta.

O evento, que começou na sexta-feira à noite, só não teve mais participantes porque as delegações da Argentina e Chile deixaram de vir por conta da gripe H1N1 (suína). “Essa assembléia decide as políticas da igreja, os eventos que marcarão o calendário, por exemplo. Neste ano, mexeu-se no código eleitoral, questões estatutárias. Foram pequenas lapidações. Outras questões que estão sendo tratadas são administrativas, como venda de propriedades para adquirir outros patrimônios”, informa de forma geral – uma vez que o reverendo foi anfitrião, não delegado.

Segundo Morais, os pilares da reforma protestante também foram rememorados durante o evento. “Somente a graça, somente a fé, somente Cristo e somente as escrituras”, finaliza.

Evento comemorou 500 anos de Calvino

De origem humilde, João Calvino nasceu na França no dia 10 de julho de 1509. Era filho de um tabelião, secretário do bispo de Noyon. Ingressou no Colégio dos Capeto e depois foi admitido entre os filhos do Senhor de Monmor, compartilhando com eles sua educação. Em agosto de 1523, iniciou seus estudos na Universidade de Paris, onde aprendeu latim, filosofia e dialética – destacou-se como humanista. Encaminhado para a teologia por seu pai, Calvino foi enviado para uma capela da Catedral de Noyon, depois para a paróquia de Marteville.

Mas, posteriormente, direcionou-se para o direito. Entre 1528 e 1533, freqüentou as universidades de Orleans e de Bourges. Em 1532, publicou sua primeira obra, “Dois livros sobre a Clemência ao Imperador Nero”. Foi-se aproximando das questões morais e religiosas e do pensamento de Lutero, o reformador da Igreja Católica na Alemanha.

Em 1533, sua distância em relação ao catolicismo tornou-se pública. Dois anos depois, concluiu sua obra mais famosa, a “Instituição da Religião Cristã”, que lhe rendeu grande prestígio. Três anos mais tarde, convidado a ensinar teologia, Calvino passou a viver em Genebra, unindo-se ao reformador Guillaume Farel.

Uma tentativa malsucedida de implantar os costumes reformados acabou causando celeuma e levando Calvino ao exílio, em 1538. Mudou-se para Estrasburgo, onde, em agosto de 1540, casou-se com a viúva Idelette de Bure, com quem viveria por nove anos. Com a morte da esposa, Calvino seguiu cuidando dos filhos dela.

Em 1541, retornou a Genebra, onde criou um modelo institucional para a igreja reformada. Publicou as suas “Ordenanças Eclesiásticas” naquele ano. A partir de então, ocupou-se do aprimoramento e da difusão da nova doutrina, expandindo-a para outros centros europeus.
João Calvino morreu no dia 27 de maio de 1564. Ele e Lutero foram os ícones da reforma protestante.

Reforma Protestante

A Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão iniciado no século 16 por Martinho Lutero. Através da publicação de suas 95 teses, ele protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo. Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha. O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes.

Fonte: Jornal de Bauru