Em 3 de março, funcionários municipais ordenaram a demolição da igreja Kale Hiwot em construção na cidade de Werabe, na Etiópia. Werabe é capital da Zona Silte, habitada majoritariamente por muçulmanos.

O motivo para a demolição foi que a construção era realizada em uma área residencial.

“Quase todos os outros templos religiosos [por aqui] são construídos no meio de áreas residenciais. Tanto mesquitas como igrejas podem ser vistas nos bairros. Como podem proibir apenas a gente [cristãos protestantes]”, indagou um exasperado coordenador da igreja. “Sempre é uma luta quando precisamos da ajuda da prefeitura. Eles raramente cooperam conosco.”

Na procura de um lugar para construir a igreja, esses protestantes encontraram muitos obstáculos. Inicialmente, eles pediram uma terra ao governo, mas tiveram de desistir. Resolveram então comprar um terreno de um cidadão. A prefeitura não se opôs durante a transação. A posse do terreno foi transferida para a igreja Kale Hiwot, que começou a construção do salão e escritórios. Agora, a prefeitura exige que a propriedade seja devolvida ao dono original.

Em resposta à ordem, líderes da igreja apelaram. O caso foi rejeitado. Na sequência, apelaram ao gabinete do Estado na cidade de Awasa. Ainda estão esperando a resposta.

Se a igreja não vencer o apelo, não terão escolha senão derrubar a construção, dentro do prazo previsto pelo decreto.

Apesar do apelo a instâncias superiores, a prefeitura de Werabe continua a pressionar os líderes da igreja a demolir o prédio imediatamente, caso contrário, sofrerão sérias consequências.

A liderança da igreja acredita que a presença da igreja na Zona Silte ofende a comunidade e os políticos muçulmanos da região.

É comum que igrejas protestantes tenham dificuldade em conseguir um local para construir seus templos e cemitérios. Alguns protestantes dizem que também sofrem pressão cada vez maior. Foram relatados incidentes de perseguição na Zona Silte, onde túmulos foram violados.

Fonte: Portas Abertas