Igreja sofreu pichações e pedradas. As ações começaram em agosto porque a maioria dos membros é formada por homossexuais.

Primeiro foi uma pedrada na porta, depois vieram as pichações com graves ameaças, os cadeados entupidos e, em seguida, os xingamentos. Desde agosto, não tem sido fácil frequentar a Comunidade Cristã Nova Esperança, no Jardim América, em Fortaleza , CE. A igreja prega a teologia inclusiva e tem sido alvo de constantes manifestações homofóbicas.

São aproximadamente 60 membros, muitos deles homossexuais, que se sentem constrangidos e amedrontados com a situação. “Escutamos os xingamentos vindos lá de fora e vemos o prédio ser danificado, mas não temos ideia de quem seja. Termina a reunião e sai todo mundo junto para se proteger. Temos receio pela nossa integridade física. Não sabemos do que eles são capazes”, comenta um dos membros, que não quis se identificar.

De acordo com a líder da igreja, Sara Cardoso Cavalcante, as ações homofóbicas ficaram mais intensas desde novembro, quando um grupo chegou a ameaçar colocar fogo no prédio. “Fizemos um boletim de ocorrência para nos resguardarmos”, afirma. Ela explica que a ausência de placas no prédio da igreja já é uma das estratégias para não chamar tanta atenção e evitar qualquer tipo de constrangimento. “Somos uma igreja evangélica pentecostal onde os excluídos integram o processo de salvação. Acreditamos que os homossexuais também têm direito a estar na presença de Deus”, completa.

A presbítera e advogada Daniela de Oliveira disse que ainda esta semana oficiará os órgãos públicos competentes sobre o problema e pedindo apoio político e de organizações civis organizadas. “Mais importante do que uma atitude repressiva é a busca pelo fortalecimento dos direitos humanos”, ressalta. Ela acrescenta que este é o primeiro caso de preconceito sofrido pela Comunidade Cristã Nova Esperança. A igreja está há três anos em Fortaleza. No Brasil, existem mais 10 – em São Paulo, Natal, Recife e São Luís.

A coordenadoria de Diversidade Sexual, da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), está acompanhando o caso. “Uma das solicitações feitas foi a mediação com a comunidade que mora próxima à igreja. Já encaminhamos para o Centro de Referência e estamos nos articulando para saber a melhor forma de ajudar. É lamentável que isso esteja ocorrendo”, diz o coordenador de Diversidade Sexual da SDH, Orlaneudo Lima.

Pelo bairro, muitos moradores evitaram comentar o assunto e se restringiam a comentar que não havia incômodo com a realização dos cultos pela Comunidade Cristã Nova Esperança. O comerciante Eraldo Carneiro, 56, trabalha em frente à igreja e atentou que o seu estabelecimento também tem sido alvo de muitas pichações – entretanto, sem motivações homofóbicas.

“A rua toda está sofrendo com essas ações de vandalismo. Acho que não são os moradores do bairro que se incomodam com a presença deles (membros da igreja) por aqui não”, disse.