Um templo da Igreja Mundial do Poder de Deus funciona sem alvará de reunião em uma região residencial do Brás, na zona norte de São Paulo. Moradores de um prédio vizinho, na rua Carneiro Leão, afirmam que, além de barulhento, o local teria instalações precárias e receberia todas as semanas uma multidão de fiéis, atraindo vendedores ambulantes e prejudicando o trânsito.

Um relatório sobre o Inquérito Civil instaurado em 2006 pelo Ministério Público do Meio Ambiente após um abaixo-assinado de moradores, entre eles o vereador Francisco Chagas (PT), relata que a igreja ocupa uma área de 40 mil m2. O relatório afirma que nunca foi realizada uma medição do barulho produzido pelo templo.

Segundo a Secretaria de Habitação, o alvará de local de reunião foi negado ao templo em 2008. O órgão da prefeitura não soube informar o motivo. A Secretaria das Subprefeituras informou que no dia 9 de janeiro deste ano houve novo pedido de regularização, ainda em análise. Não há registro de multas, de acordo com informações da Subprefeitura da Moóca.

O alvará de reunião é um documento que atesta condições de segurança para públicos de grande porte, como saídas de emergência adequadas, extintores de incêndio e ar-condicionado em pleno funcionamento, entre outras exigências. Mesmo sem autorização, o chamado “Grande Templo dos Milagres” funciona diariamente. A igreja divulga em seu site uma farta agenda de eventos.

Segundo o síndico do condomínio em frente ao templo, Jonas Pires de Souza, os dias de maior movimento são as terças-feiras e domingos, quando o apóstolo Valdemiro Santiago ministra os cultos. “A agitação vai das 7h até 23h, 0h e o barulho é ensurdecedor, ninguém dorme”, diz Souza.

A reportagem do Terra acompanhou um culto na tarde de sexta-feira, das 15h às 16h. Apesar da falta de alvará para reuniões, instalação de milhares de cadeiras evidenciou a capacidade que o templo tem de receber milhares de fiéis. A reportagem não conseguiu localizar nenhum representante da igreja apto para comentar o assunto.

Segundo levantamento feito pela administração municipal junto a 25 subprefeituras, 495 igrejas foram multadas desde 2005 e 41 acabaram fechadas por falta de documentação.

Fonte: Terra