Jornal da Igreja Universal do Reino de Deus, a “Folha Universal” desta semana faz fortes ataques à TV Globo, numa reedição reduzida da “guerra santa” travada na década passada. A “Folha Universal” agora acusa a Globo de “usar sua programação para beneficiar a Igreja Católica e prejudicar as igrejas evangélicas”.

Sob a manchete “TV Globo vira igreja eletrônica”, diz que “a empresa assumiu de vez a posição de rede oficial da Igreja Católica” com a cobertura da visita do papa ao Brasil, que teria “pecado” por “exagerado sensacionalismo” e “expressões fervorosas”.

Seu principal texto reclama que a repórter Ilze Scamparini se referiu às igrejas evangélicas como “seitas”. Um quadro cita “casos históricos” de “ataques aos evangélicos”, entre eles a minissérie “Decadência” (1995, em que um pastor enriquecia).

O jornal declara tiragem de 2,308 milhões de exemplares. A edição foi distribuída gratuitamente em locais de circulação de classe média alta, como o Parque Villa-Lobos, em SP.

Diretor da Central Globo de Comunicação, Luís Erlanger diz que “como sempre, nossa cobertura foi proporcional à importância da notícia”. ” Tanto assim que a própria Folha dedicou um espaço especial à visita do papa. Gostaríamos de destacar que, diferentemente da Igreja Universal, que tem espaços de mídia próprios, a Igreja Católica não compra espaço na TV Globo”.

Leia abaixo a matéria completa que está no jornal Folha Universal:

A SERVIÇO DO VATICANO?

A visita do papa Bento XVI reforçou uma antiga suspeita dos brasileiros: a Rede Globo de Televisão usa sua programação, de maneira explícita, para beneficiar a Igreja Católica e prejudicar igrejas evangélicas. A constatação ficou clara durante a cobertura da emissora, tanto em seus telejornais como nos plantões e programas especiais, nos cinco dias em que o líder dos católicos esteve no País.

Segundo especialistas, a cobertura pecou pelo tom: doses exageradas de sensacionalismo, interpretações emotivas e reportagens carregadas de expressões fervorosas – práticas que se chocam com a obrigação de imparcialidade do jornalismo.

A mídia especializada em televisão condenou a postura da Globo. O jornal ‘Folha de S. Paulo’, em sua coluna “Outro Canal”, do jornalista Daniel Castro, no dia 11 de maio, afirmou que a emissora cometeu excessos como, por exemplo, “ao relatar aceno do papa a fiéis no largo São Bento, o âncora Chico Pinheiro disse no ‘SP TV – 1ª Edição’ que Bento 16 fora encontrar seu ‘rebanho’”.

O site FolhaOnline também acusou a Globo de assumir posição tendenciosa a favor do Vaticano. O veículo destacou que “o ‘Jornal Nacional’, assim como fez o papa, referiu-se aos evangélicos como membros de uma ‘seita’. O tratamento se deu na abertura do telejornal e em uma entrevista da repórter Ilze Scamparini com uma autoridade católica mineira. ‘As seitas hoje não mais preocupam este cardeal emérito de Minas Gerais’, disse a repórter”.

O mesmo site também lembrou que “todas as manhãs de domingo, há quase 40 anos, a Globo transmite a ‘Santa Missa’. Trata-se do mais antigo programa da rede – está no ar desde 4 de fevereiro de 1968”. Afirmou ainda, que “a partir de 1971, a pedido do cardeal D. Eugênio Sales, o programa passou a destinar uma parte do tempo para a divulgação de notícias da própria arquidiocese”.

No domingo, dia 13, outro passo bastante contestado. A decisão da emissora de interromper a transmissão do Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1 para a cobertura da visita do papa foi considerada um sinal de desrepeito aos telespectadores. Após o plantão do papa, a Globo exibiu imagens gravadas com a conclusão da competição, vencida pelo piloto brasileiro Felipe Massa.

Observatório da Imprensa
As críticas vieram de todos os lados.
O jornalista Alberto Dines, um dos maiores estudiosos da imprensa brasileira, manifestou publicamente preocupação com a posição tendenciosa da Globo. Em seu site Observatório da Imprensa, Dines apontou graves erros no comportamento editorial do jornalismo da emissora.
Na sexta-feira, 12 de maio, três dias depois da chegada do papa ao Brasil, o jornalista foi enfático:
– A mídia brasileira, talvez sem perceber, está ajudando o Vaticano a acionar uma ofensiva sem precedentes. A discussão sobre o aborto é apenas um pretexto: a visita do papa Bento XVI foi montada para exibir a ancestral capacidade mobilizadora da Igreja depois de uma longa letargia ante o avanço das crenças protestantes e da descrença racionalista.

O espetáculo da fé iniciado ontem a partir de São Paulo para todo o País é parte de um espetáculo político, minuciosamente planejado.Catequese na TV
Em outro artigo, o jornalista Alberto Dines vai além:
– A mídia não deveria esquecer que as comoventes exibições de devoção religiosa são a face visível de um projeto de poder que, em determinados momentos, deixa de lado a espiritualidade para recorrer a claras ameaças aos políticos que favorecem a legalização do aborto.
Um de seus artigos, porém, não pára de ser elogiado por especialistas em comunicação e leitores em geral por sua pontualidade. Tornou-se um dos mais acessados nos últimos tempos em sua página na internet.

– A esmerada cobertura do Jornal Nacional foi um pouco além dos limites de uma mídia laica dentro de um Estado laico. A emoção dos fiéis diante do sumo pontífice é uma realidade que deve ser compartilhada por todos, mas a catequese religiosa através da TV fere o caráter leigo do Estado brasileiro, reafirmado de forma tão enfática pelo presidente da República.

Record fez a melhor cobertura, diz pesquisa
A Rede Record foi a emissora que realizou a cobertura mais isenta da visita do papa ao Brasil. É o que aponta uma pesquisa realizada no portal UOL, no site Na Telinha, um dos mais importantes espaços dedicados à televisão na internet.
A emissora recebeu 50,5% dos 6.616 votos computados. Em seguida, veio a Rede Bandeirantes, com 28,9% da preferência. A Rede TV teve 11,1% dos votos. A Globo, acusada de ser a emissora oficial da Igreja Católica, teve só 9,5%.

GLOBO ATACA EVANGÉLICOS HÁ DÉCADAS
Quem não se lembra? A TV Globo, agora acusada de favorecer a Igreja Católica na visita do papa ao Brasil, tem um vasto currículo de ataques aos evangélicos.

Relembre alguns casos históricos:

• Minissérie ‘Decadência’
Em setembro de 1995, a Globo usou a sua força de teledramaturgia para atacar as igrejas evangélicas. A emissora dos Marinhos levou ao ar a minissérie ‘Decadência’, que tinha como personagem principal um pastor, interpretado pelo ator Edson Celulari. A minissérie o mostrava enriquecendo às custas dos dízimos e ofertas dos fiéis. Na cena mais deplorável, a amante do pastor chega a colocar uma calcinha sobre a Bíblia em pleno altar.

• A evangélica sem pudor
Em 2005, a emissora escalou a sensual atriz Juliana Paes para interpretar uma polêmica personagem na novela ‘América’: uma evangélica que seduzia os homens (aparecendo, inclusive, em cenas de strip-tease), mas se fingia de boa moça.

• Renascer em Cristo
Este ano, a Globo liderou sucessivos ataques aos líderes da Igreja Renascer em Cristo, Estevam Herandes e Sônia Moraes, presos nos Estados Unidos sob acusação de entrarem no país com cerca de US$ 46 mil não-declarados. O deslize legal foi motivo para uma campanha contundente contra a comunidade evangélica.

• Telejornais da Globo
Por décadas, mais intensamente desde a compra da Rede Record, os noticiários da TV Globo adotaram, em geral, uma linha editorial contrária à Igreja Universal do Reino de Deus e ao seu líder espiritual, bispo Edir Macedo. De tempos em tempos, a emissora carioca destina agressivos e gratuitos ataques. Os exemplos vão desde a cobertura tendenciosa da prisão do bispo Macedo e a apreensão das ofertas dos membros da IURD. A absolvição da Justiça em processos contra a Igreja Universal e o bispo Macedo, curiosamente, nunca tiveram espaço nos noticiários da Globo.

Fonte: Folha de São Paulo e Folha Universal