Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) agrupou no PRB, em 2009, deputados federais que ajudou a eleger por outras legendas em 2006, inflando para oito parlamentares a bancada do partido na Câmara que disputará as eleições de 2010.

Com as transferências, a Igreja Universal deixa a postura anterior, de manter parlamentares em agremiações diferentes, para se concentrar em uma legenda. O presidente do partido, bispo Vitor Paulo dos Santos, não respondeu quando o Estado lhe perguntou se a igreja ajudou no crescimento, limitando-se a afirmar que o PRB é “indiferente” à opção religiosa dos filiados, mas pelo menos cinco dos novos deputados são da instituição. A estratégia é vista como arriscada. O PRB teve desempenho fraco em 2006 e poderia não garantir a reeleição de todos.

“A Universal resolveu concentrar todo mundo no PRB”, conta um parlamentar evangélico que prefere não ser identificado. “Mas não tem legenda lá, eles sempre ganharam por outros partidos.” Os novos deputados do PRB passaram por PMDB, PR, PAN e PSB. Mesmo tendo como seu filiado o vice-presidente José Alencar, o PRB elegeu em 2006 somente um deputado federal: Léo Vivas, da Universal do Rio de Janeiro.

Até o início de setembro deste ano conseguira três adesões de parlamentares sem ligações com a igreja. Um é seu líder, Cleber Verde (MA), da Assembleia de Deus. Outro é Marcos Antônio (PE), cantor evangélico da Igreja Metodista. Ambos ficaram na bancada, como o deputado Léo Vivas. Walter Brito Neto (PB) trocou o DEM pelo PRB, mas, por causa da mudança, perdeu o mandato no Supremo Tribunal Federal. Até o fim do prazo para filiação, encerrado no fim de setembro, migraram para o PRB outros cinco deputados, todos ligados à Igreja Universal: Flávio Bezerra (CE), Márcio Marinho (BA), George Hilton (MG), Eduardo Lopes (RJ) e Antônio Bulhões (SP).

A legenda foi fundada em 2003, com o nome de Partido Municipalista Renovador. No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva controla a Secretaria de Assuntos Estratégicos, que tem como titular o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães. O Estado tentou ouvir deputados do PRB, mas ninguém quis dar entrevista. O presidente do partido, Vitor Paulo, foi o único que concordou em responder as perguntas do repórter, mas por escrito.

“O crescimento do partido é resultado de muito esforço e dedicação de todos, desde os milhares de filiados à direção partidária em todas as instâncias, diretórios municipais, estadual, enfim, é um conjunto de ações”, afirmou Vitor Paulo, por e-mail. “Quanto aos deputados, essa mudança ocorreu no fim do mês de setembro quando se expirou o prazo de filiação segundo a legislação eleitoral.”

De acordo com ele, o PRB está preparado para enfrentar questionamentos judiciais às novas filiações – há um entendimento judicial de que o mandato pertence ao partido, não ao parlamentar, o que pode levar à sua perda para a legenda original.

O presidente nacional do partido assegurou que os entendimentos do PRB para atrair adesões são feitos com base no programa partidário e na ideologia.

Fonte: Estadão