A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada a pagar uma indenização de R$ 1 milhão aos pais do adolescente Lucas Terra, assassinado por um pastor em 21 de março de 2001, em Salvador (BA). A esse valor, serão acrescidos juros e correção monetária.

De acordo com o parecer dos desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia, a instituição é responsável pela escolha de seus membros e tem o dever de vigiar a conduta de seus integrantes.

Lucas Terra foi queimado vivo pelo pastor auxiliar Sílvio Roberto Santos Galiza, condenado a 18 anos de reclusão por crime triplamente qualificado. Depois de condenado, Galiza acusou os pastores Fernando Aparecido da Silva e Joel Miranda como os executores do crime. Ambos tiveram prisão preventiva decretada e estão foragidos.

A sentença obriga a Universal a destinar a quantia de R$ 500 mil para cada um dos pais de Lucas. A decisão, no entanto, ainda poderá ser contestada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Superior Tribunal Federal (STF).

Os advogados da Universal não declararam se irão recorrer da sentença.

Ameaças

Segundo José Carlos Terra, pai de Lucas, a decisão da Justiça coincide com a data estipulada para que ele e sua família deixem Salvador e desistam da ação cível contra a Universal.

A exigência, seguida de ameaça de morte de toda a família – teria sido feita por telefonemas anônimos entre os dias 26 de fevereiro e 1º de Março.

“Em nenhum momento pensei em desistir. Inclusive, em uma das ligações, disse a quem me ameaçou que os covardes se escondem atrás do anonimato”, dispara Terra, que relatou o fato e pediu escolta policial ao Ministério Público.

O pai de Lucas garante que já tomou suas “precauções” e que não estará desprotegido no caso de um enfrentamento com os responsáveis pelas ameaças.

A notícia da indenização foi recebida com reservas pela família Terra. “Este dinheiro não vai trazer a vida do meu filho de volta. Mas, ao menos, é uma forma de punição à instituição que, além de escolher uma pessoa dessas para o seu quadro de pastores, o protege e acoberta”, acusa.

O empresário, entretanto, acredita que há justiça na Bahia e que os culpados pela morte de Lucas Terra não ficarão impunes. “Eu não vou descansar enquanto não vir todos estes assassinos, um por um, atrás das grades. Pode levar o tempo que for. A Justiça não vai permitir que estes covardes fiquem impunes”, assegura.

Fonte: A Tarde Online