A fogueira da polêmica sobre o carro alegórico que a Porto da Pedra levará para Avenida, com esculturas de um Papa, além de cardeais e bispos, corre o risco de abrandar. Advogados da Arquidiocese do Rio vão vistoriar a alegoria antes de decidir se entrarão na Justiça, para impedir que o carro seja levado para a Sapucaí.

O presidente do Tigre de São Gonçalo, Uberlan de Oliveira, acolherá a comissão de braços abertos. “Vai ser ótimo receber a cúpula da Igreja Católica no barracão da escola. Todos serão muito bem-vindos”.

A polêmica surgiu quando a Arquidiocese soube que um dos carros da escola lembrará cientistas condenados à morte pela Igreja na Inquisição por contrariar leis vistas sobre a ótica católica. O bispo-auxiliar do Rio, Dom Edney Mattoso, condenou a alegoria, considerando a idéia da Porto da Pedra de espetacularizar a Inquisição “um abuso, agressão à fé”.

A alegoria, defende a escola, faz menção à censura imposta pela Igreja e está de acordo com o enredo ‘Não me proíbam de criar, pois preciso curiar! Sou o país do futuro e tenho muito a inventar!’, de Max Lopes.

O encontro entre membros da Igreja e a comissão de Carnaval da Porto da Pedra ainda não foi marcado, mas deverá acontecer logo, segundo a Arquidiocese. “Primeiro vamos ver como o assunto está sendo retratado no carro e tentar conversar. A ação judicial só será movida em último caso”, adiantou Clodine Dutra, advogada da Arquidiocese.

Exu de Milton Cunha cai nas graças

Outra manifestação religiosa — desta vez sobre os orixás do Candomblé — que gerou burburinho no mundo do samba foi a apresentação de Milton Cunha no ensaio técnico da Viradouro, domingo. O carnavalesco entrou na Avenida no alto de um tripé de mais de cinco metros, caracterizado de Exu de Caribé.

Mas, ao contrário do protesto da Igreja contra a “espetacularização da Inquisição”, o Exu de Milton Cunha caiu nas graças dos candomblecistas. “Foi uma manifestação cultural, uma forma de não deixar esquecer que o Carnaval tem origem nos costumes africanos, de onde também vem o Candomblé”, apoiou o presidente da Federação Brasileira de Umbanda e Candomblé, Manoel Alves de Souza.

“Segui os preceitos do Candomblé da África. É a imagem de Exu criado pelo artista plástico argentino Hector Caribé. Isso não é só religião, é arte”, defendeu Milton Cunha.

Fonte: O Dia