Representantes de sete igrejas apoiaram a decisão do presidente uruguaio, Tabaré Vásquez, de vetar uma possível legalização do aborto e pediram penas mais duras para as pessoas que colaborarem com o fim da gravidez, e menores para as mulheres que abortam.

Autoridades das igrejas Católica, Anglicana, Apostólica Armênia, Batista, Grega Ortodoxa, Menonita e Pentecostal Nascente posicionaram-se assim diante do projeto de lei “Saúde Sexual e Reprodutiva”, atualmente em votação no Legislativo.

Uma punição “especialmente agravada” aos que colaboram direta ou indiretamente com práticas abortivas ou com a venda de remédios que levem a esse fim, assim como a redução “ao mínimo” do castigo às mulheres são algumas das idéias expostas a Vázquez em uma carta.

A mulher que passa pelo choque de interromper uma gravidez “carece da condição fundamental do livre arbítrio”, pois, “fica submetida a fortes pressões psicológicas, econômicas, sociais, familiares e culturais”, argumentaram os religiosos.

Na nota, cujo conteúdo foi divulgado pelo jornal El País, os representantes das diferentes vertentes religiosas apoiaram Vázquez, que logo após assumir a presidência se comprometeu em lutar contra a legalização do aborto.

A legalização, apoiada por legisladores da Frente Ampla, aprovada na Câmara dos Deputados e atualmente em votação no Senado, prevê que “toda mulher tem o direito de decidir sobre a interrupção da gravidez durante as primeiras 12 semanas de gestação”.

As igrejas pediram também que seja acelerada a regulamentação da adoção de recém-nascidos e lembram que o Estado deve cuidar para que a criança se forme em uma ambiente com “condições de formação afetiva, psicológica e moral”, em uma clara alusão a um projeto que habilita a adoção apenas a casais em situação legal e com, no mínimo, quatro anos de união.

Apesar das normas vigentes, no Uruguai são praticados cerca de 30 mil abortos por ano enquanto, segundo uma pesquisa realizada meses atrás por uma empresa particular, 49% dos uruguaios estão a favor da liberação do aborto e 39%, contra.

Fonte: Estadão