As mais de 200 mil igrejas católicas de todo o Brasil poderão atuar na prevenção e incentivar o diagnóstico do HIV. Representantes da Pastoral da aids entregaram ao Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde, um documento com recomendações para o enfrentamento da aids no país.

Entre as sugestões, está a ampliação da divulgação da estratégia “Fique Sabendo”, que incentiva o diagnóstico precoce do vírus: fiéis poderão ser incentivados, inclusive durante as missas, a fazer o teste de HIV.

“Nenhuma porta está fechada. Hoje, temos um problema que é o diagnóstico tardio da doença. Nosso objetivo é dispor das dioceses, paróquias e comunidades para que as informações cheguem às pessoas e que elas se dirijam às unidades de saúde para fazer o teste”, disse o assessor nacional da pastoral, frei Luiz Carlos Lunardi.

O frei afirmou ainda que a polêmica em relação ao uso do preservativo não será impedimento no combate à aids no país.

“Embasamos nossas ações na prevenção. O sonho da Pastoral é que mais nenhuma pessoa se contamine com HIV. Não temos que omitir nenhum aspecto da informação sobre a prevenção. Vamos orientar as pessoas sobre a doença, sobre os métodos de prevenção. No momento do ato sexual, não está nem o governo para dizer ‘use o preservativo’ e nem a Igreja para dizer ‘não use’. A decisão é pessoal. A consciência é o poder último da pessoa”, diz o frei, acrescentando que o secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Dimas Lara, esteve presente na entrega do documento.

Diretor adjunto do Programa nacional, Eduardo Barbosa avaliou como positiva a iniciativa da pastoral. E afirmou que a polêmica sobre o uso ou não do preservativo – que envolve a Igreja e o Ministério da Saúde – não pode inviabilizar o trabalho contra o avanço da aids no país.

“As divergências não pode impedir um trabalho que é mais importante, como o acesso ao diagnóstico e o da assistência de pessoas que vivem com aids. Se puder ter cartazes nas igrejas e o próprio padre indicando o teste, a gente vai atingir um segmento da população importante”, disse Barbosa, acrescentando que está prevista reunião na primeira quinzena de novembro entre a Igreja Católica e o ministério.

Maior fiscalização

Um dos problemas do enfrentamento da aids no Brasil é a dificuldade de fiscalização da aplicação da verba destinada pelo Programa Nacional de DST e Aids nos municípios e estados. Segundo Eduardo Barbosa, uma das propostas incluídas no documento é que representantes da pastoral auxiliem o ministério na fiscalização.

“O mais importante nessa parceria é a possibilidade da Igreja estimular o cumprimento do Plano de Ações e Metas dos estados e dos 450 municípios que recebem recursos diretamente do programa nacional”, afirma.

“Esse ano, destinamos R$ 135 milhões, mas os municípios e estados nem sempre executam os valores de acordo com a metas estabelecidas”, reconhece Barbosa.

O documento elaborado pela Pastoral, que é resultado do VI Seminário Nacional de Prevenção HIV/aids, realizado entre os dias 10 e 12 em Brasília, ressalta ainda a necessidade de campanhas voltadas para as pessoas com deficiência e da inserção do tema DST, HIV e aids nas universidades e escolas por pessoas capacitadas.

Fonte: O Dia