Na questão da sexualidade humana a Igreja deve deixar de ser institucional e converter-se na Igreja de Cristo, recomendou o diretor da organização Rosa Blanca, reverendo anglicano David Limo.

Rosa Blanca acompanha pessoas portadoras do vírus da imunodeficiência humana e seus familiares no Peru.

Limo participou do V Fórum Latino-Americano e do Caribe sobre HIV/AIDS e Doenças Sexualmente Transmissíveis, reunido em Lima de 20 a 23 de novembro.

Igrejas que têm capacidade de compreender a diversidade sexual, encará-la como dom de Deus, reconhecer que as pessoas têm direitos para viver em plenitude são inclusivas, pois não estigmatizam nem discriminam, definiu o reverendo anglicano.

A Igreja deve baixar do púlpito e estar com o povo, e isso inclui uma linguagem humanizante, “que deixe de ser da esfera dos deuses”, quando se trata de enfocar temas como o HIV/Aids, defendeu Limo.

Em painel, do qual também participou o reverendo anglicano, a secretária da ONG Católicas pelo Direito de Decidir do Peru, Gioconda Diéguez, defendeu um Estado laico no qual todas as idéias sejam respeitadas. No caso da Igreja Católica, disse, há uma separação entre a hierarquia e a membresia.

Para combater o estigma e a discriminação contra pessoas soropositivas “não bastam declarações teológicas. A sexualidade deve ser tema de prédicas aos domingos”, defenderem os dois painelistas.

A Rede Inter-Religiosa Latino-Americana e Caribenha sobre HIV/Aids comprometeu-se com uma nova agenda para combater a pandemia, a partir das igrejas.

A declaração da Rede defende o uso da camisinha como método de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Estima-se que 1,7 milhão de pessoas é portadora do vírus do HIV.

O moderador da Rede, o pastor luterano Lisandro Orlov, da Argentina, informou que o uso da camisinha está sendo recomendada por igrejas, até mesmo as mais conservadoras. No passado, igrejas condenavam esse preservativo.

Representando a Rede Católica do Brasil frente ao HIV/Aids, o reverendo Luis Carlos Lunarde, apelou para a construção de uma nova consciência, postura e ações das igrejas, para que elas fomentem uma teologia da prevenção.

Uma marcha pedindo acesso de pessoas soropositivas à assistência médica e a medicamentos encerrou o encontro. A Rede Inter-religiosa Latino-Americana e Caribenha sobre HIV e AIDS – Religiões pela Paz integra outras redes, como a metodista, católica, luterana, da religiosidade afro-brasileira, da Visão Mundial e do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).

Fonte: ALC