Na tentativa de atrair modernos, roqueiros e até atores pornô, vale também divulgação pela internet.

Na sala ampla, repleta de pinturas estilizadas de figuras religiosas, os instrumentos de uma banda de rock estão a postos e um telão exibe slides que fazem referência ao papel de Jesus como revolucionário.

Nas pequenas mesas e sofás, alojam-se os fiéis: jovens tatuados que usam roupas modernas e estão atentos às palavras proferidas pelo representante comercial Hudson Parente, o pregador da noite, paramentado de calça jeans e tênis All Star.

Como tudo no Projeto 242, igreja localizada no número 900 da rua da Glória, no bairro da Liberdade em São Paulo, a pregação passa longe daquelas dos cultos de templos evangélicos tradicionais.

Criado há dez anos, o projeto marca a chegada a SP da chamada igreja emergente, movimento que nasceu na Inglaterra, na última década. É uma vertente que congrega denominações que começaram a oferecer cultos alternativos para jovens, unindo espiritualidade, cultura e vida em comunhão.

O próprio nome da igreja remete ao espírito de comunidade: é uma referência bíblica ao versículo 42 do capítulo 2 do livro dos Atos dos Apóstolos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”. A divulgação da fé se dá por meio de sites, fotologs e blogs.

Os fiéis do 242 são jovens de classe média ou média alta, muitos deles profissionais de áreas ligadas à criatividade, como designers, publicitários e arquitetos. Acreditam nos valores mais estritos da moral cristã, como a virgindade.

Ao mesmo tempo, fazem parte de uma comunidade religiosa na qual não precisam mudar a linguagem, as roupas ou as preferências musicais para se assumirem como cristãos.
Praticam também a chamada “teologia da inclusão”. “Jesus ama a todos”, resume João Mossadihj, 25, o Jota, tatuagens nos braços, repetindo os dizeres dos 2.000 adesivos distribuídos na Parada Gay por ele e outros participantes do Sexxx Church, grupo que ajuda prostitutas e viciados em pornografia “a encontrarem Deus”.
O Sexxx Church não se classifica como mais uma igreja. Seus 30 missionários são de diversas denominações, todos com um perfil parecido com o de Jota, que entrou para o 242 há quatro anos.

Plano divino

É justamente em busca de quem se “desviou” do cristianismo que iniciativas como o projeto Toque, uma ONG apoiada pelo 242, se aproxima de prostitutas, sem-tetos e crianças de rua na noite paulistana. “Acreditamos que, só por estar com eles, resgatamos sua dignidade”, diz Fernanda Pinilha, 26. A integrante do projeto resume a opinião dos fiéis das igrejas emergentes sobre o homossexualismo: “Acreditamos que não é o plano de Deus, mas não podemos julgar”.

Além da 242, há diversas denominações no Brasil voltadas para as tribos urbanas, como emos, góticos e metaleiros, entre outros

Fonte: Folha de São Paulo