As igrejas católicas de Caxias, no Maranhão, há algum tempo adotaram um horário específico para abertura de suas portas à visitação pública e a oração. O motivo: os furtos constantes que estavam ocorrendo nestes locais.

Das seis igrejas existentes no centro da cidade, apenas duas abrem suas portas pela manhã: a do Rosário e a da Matriz. As demais funcionam apenas no horário reservado às missas e novenas.

Na Igreja Matriz, localizada na praça Cândido Mendes, só permanece aberta das 7h30 às 10h. Isso porque é também neste horário que uma zeladora limpa o local. O agente administrativo da igreja, Ricardo Lopes Oliveira, revela que na Matriz aconteceram muitos furtos, principalmente de peças religiosas guardadas em um arquivo morto da igreja.

Os cuidados só começaram a ser tomados quando um destes ladrões foi pego em flagrante. Os furtos geralmente acontecem durante o dia. A maioria dos autores, segundo o administrador, são homens. Não são feitas denúncias nas delegacias, o que impede levantamento oficial dos furtos e roubos a estes lugares.

“Quando a gente pega alguém fazendo isso chama para uma conversa e tenta conscientizar aquela pessoa de que não se pode agir desta forma. Nós não sabemos precisar o que já foi levado da igreja, porque eles geralmente furtam do arquivo morto. Nesse local ficam guardadas peças que não podemos mandar limpar ou restaurar. Como só descobrimos esses furtos há pouco tempo, fica até difícil saber o que já foi levado daqui”, explica Ricardo Lopes.

Obrigatoriedade

A falta de segurança nas igrejas ou até mesmo de alguém disposto a ficar guardando estes locais enquanto elas permanecem abertas também é um dos fatores que levou os padres a adotar um novo horário para a segurança do patrimônio religioso.

“Hoje, ninguém mais quer ficar aqui ou ajudar sem receber nada. Não podemos simplesmente abrir a igreja e deixá-la sem ninguém que possa vigiar o patrimônio. Às vezes até mesmo as velas que as pessoas acendem é só darem as costas que vem alguém e carrega, por pura maldade”, assegura Ricardo Lopes.

Ele informa que, ao término da missa de domingo, tem muita gente que perde algum tipo de objeto como óculos e celular e quando volta para pegar não encontra mais. “Não podemos acusar ninguém, mas sem segurança é impossível ficar com a igreja aberta o dia inteiro”, destaca o administrador.

Bens

Existem hoje no país 1.318 bens litúrgicos desaparecidos, num total avaliado em R$ 12,5 milhões, segundo a empresa de segurança e inteligência privada RCI First Security and Intelligence Advise, que cruzou dados das agências de inteligência do mundo todo, de órgãos que respondem sobre o patrimônio histórico e de boletins de ocorrência de delegacias.

Para a católica Agripina Mello, 68 anos, que freqüenta a igreja todos os dias, é um absurdo estes estabelecimentos ficarem fechados pela falta de respeito aos centros religiosos.

“No tempo em que eu era criança não era assim não. As igrejas ficavam abertas o dia inteiro. Hoje em dia se a gente quer conversar com Deus na casa dele tem que esperar o horário da missa. É um absurdo essa falta de respeito, não digo nem que é falta de segurança, porque no templo religioso não deveria acontecer esses tipos de coisas” declara Agripina Mello.

Entre os roubos, os objetos mais levados das igrejas caxienses, tanto das católicas quanto das evangélicas, são as aparelhagens de som. Boa parte delas já sofreram roubos deste tipo, mas nem todos os casos chegam ao conhecimento da polícia.

Fonte: O Estado do Maranhão