O pastor presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), Paulo Moisés Nerbas, e o secretário-geral da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Nestor Friedrich, destacaram a importância da comunicação para a estrutura e missão da igreja, mas reconheceram deficiências na área.

“A comunicação é questão estratégica, mas é o espaço onde mais indefinições de competências temos”, admitiu Friedrich ao falar para jornalistas, professores e pastores reunidos no sábado, 29, em Canoas, na assembléia constituinte do Fórum Luterano de Comunicadores (FLC), organismo que vai substituir Luteranos Unidos em Comunicação (LUC), que foi extinto.

O secretário-geral declarou que a comunicação não faz parte “da nossa cultura de visibilidade”. Ele defendeu a implantação de política de comunicação na igreja, com planos exeqüíveis a curto, médio e longo prazo. O pastor presidente da IECLB, Walter Altmann, propôs a articulação de uma política comum de comunicação para as duas igrejas luteranas brasileiras.

O painel com análises e perspectivas da comunicação nas igrejas luteranas no Brasil foi antecedido pela palestra da professora Christa Berger, da Universidade Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), a respeito do papel da comunicação na sociedade contemporânea. Christa disse que luteranos subestimam o peso que representam na sociedade, o que fica evidente na pouca visibilidade das duas igrejas na mídia nacional.

Altmann afirmou que a visibilidade no meio evangélico é, hoje, ambivalente. Percebe-se, de um lado, a grande capacidade de igrejas pentecostais e neopentecostais no uso dos meios de comunicação de massa, e, de outro lado, aparece uma crescente onda de desconfiança e de credibilidade abalada ao que diz respeito a evangélico.

“Tínhamos orgulho de ser evangélico. Mas o que era fonte de orgulho é, hoje, pejorativo. Perdemos o controle dessa palavra, que se associa a igreja pentecostal ou neopentecostal”, avaliou o presidente.

Na IELB, disse o secretário nacional da denominação, pastor Rony Ricardo Marquardt, “se nos mostrarem o que é possível fazer em comunicação podemos liberar recursos”. As duas igrejas vão destinar 1,2 mil reais (cerca de 500 dólares) para a nova organização de comunicadores.

A assembléia constituinte aprovou regulamento do FLC, que se define como uma entidade autônoma a serviço das igrejas luteranas brasileiras. A primeira diretoria eleita no sábado está assim constituída: presidente, Rony Marquardt; vice-presidente, pastor João Artur Müller da Silva; secretária, Aline Gehm Keller; tesoureiro, Eloy Teckemeier.

Fonte: A Hora