Igreja evangélica. É este o investimento de empresários e profissionais liberais de Ribeirão Preto, São Paulo que em determinado momento de suas vidas foram ‘convertidos’ a servir a Deus. Mantidas por dízimos e ofertas espontâneas, as igrejas atraem pessoas de diversas classes sociais.

“A fé nos faz enfrentar crises financeiras”, afirma a pastora Marina Dellias Felício, da igreja Caminho da Vida. Ela e o marido, o empresário e pastor José Luiz Felício, fundaram em Ribeirão há 29 anos o Grupo Passaredo, que atua na área de transporte aéreo e rodoviário. Há 24 anos se dedicam à igreja evangélica.

A pastora recebeu a reportagem em seu escritório, localizado na sede da igreja, onde tudo lembra negócios: a mesa, o computador, as secretárias, a lanchonete, a loja de souvenir. E a comparação pára por aí. Doce e atenciosa, a pastora deixou os negócios de lado para se dedicar integralmente à fé e levar a palavra.

É essa fé que fez o casal a superar crises financeiras e ter esperanças, como quando foi nomeada a falência da Passaredo Transportes Aéreos. “Nunca se ouviu na história da aviação uma empresa que tenha falido e depois voltado a operar”, conta.

A nova sede da igreja, inaugurada há dois meses, conta com salas de aula de evangelização de adultos e crianças, além de outra sala especialmente para as aulas de dança. A Caminho da Vida conta com 170 membros fixos, mas a média é de 250 freqüentadores por culto.

Desassociar os negócios da igreja é algo que José Fortes Guimarães Neto tenta transmitir a quem freqüentam a Casa de Oração, onde é pastor. Agropecuarista e advogado, Neto foi convertido em 1992 e há sete anos transmite a palavra.

“Algumas pessoas estranharam quando eu disse que ia abrir uma igreja. Hoje, são cerca de 150 pessoas que freqüentam a Casa de Oração, além dos voluntários”, afirma. A sede “acanhada” da igreja, como ele costuma dizer, é simples.

“A igreja evangélica mudou a minha maneira de encarar os negócios. Hoje não tenho mais o desejo de ganhar dinheiro”. Durante os cultos, ele transmite que a riqueza de um homem não se constitui nos bens materiais que possui, e sim nos seus valores e na maneira de conduzir a vida.

Segundo o pastor Samuel de Souza Nunes, da Igreja Cristã Graça e Paz, há empresários que fundam igreja evangélica para obterem benefícios financeiros. “Infelizmente quando ocorre esses casos, há uma generalização e todos pensam que os evangélicos são aproveitadores”, afirma. Funcionário do Banco do Brasil, ele e a esposa, a psicóloga Cássia Cristina Nunes, se dedicam voluntariamente a levar os ensinos bíblicos e também à restauração emocional dos que chegam à igreja.

“Existe perseguição. As pessoas tendem a colocar no mesmo saco todos os evangélicos”, diz o pastor Cléber Caetano Cunha Silva, da igreja Sara Nossa Terra. Empresário do ramo de Tecnologia da Informação, ele e a esposa, a também pastora e psicóloga Pricila Peixoto Cunha, deixaram Brasília com a missão de trazer a palavra aos ribeirãopretanos.

“O evangelismo contagia as pessoas para o bem e as faz quebrar paradigmas. Aqui médicos, advogados e pessoas mais simples convivem juntas”, afirma. Hoje, a Sara Nossa Terra conta com 150 membros.

Fonte: Gazeta de Ribeirão