Depois de uma varredura brutal promovida pelo governo em julho, uma igreja em uma pequena uma aldeia no Laos, que já teve 1900 membros, encolheu e hoje existem apenas algumas dezenas de freqüentadores.

A maioria de seus líderes ainda está presa ou é mantida em prisão domiciliar.

Fontes cristãs disseram que entre 20 e 30 membros ainda se encontram na Igreja Evangélica em Ban Sai, na aldeia de Jarern, província de Bokeo, no noroeste do Laos.

Há três meses, as autoridades prenderam 200 cristãos hmong que foram falsamente acusados de serem rebeldes separatistas. Muitos destes, inclusive mulheres e crianças, ainda estão na prisão, segundo fontes cristãs.

Os homens estão em silêncio ou se escondendo com medo de serem presos ou ainda estão em prisão domiciliar. Outros têm medo de sair de suas casas para adorar na igreja”, disse uma fonte cristã.

“Há apenas um pequeno número de homens que ousa vir à igreja aos domingos, a maioria é de mulheres e crianças.”

Os remanescentes da igreja só se reúnem para orar. “Nenhuma outra atividade está sendo celebrada. Apesar de a igreja ainda estar tecnicamente aberta, sem oposição por parte das autoridades, não está em seu estado normal, pois os líderes estão presos e os membros têm medo.

Ocorrências em julho

Uma brutal incursão do governo, sem precedentes, na qual soldados e a polícia mataram pelo menos 13 cristãos em julho passado, deixou a comunidade em choque, uma vez que a região sempre foi livre de atividades separatistas e da interferência das autoridades nas igrejas.

Mas ano passado, disseram as fontes, autoridades saíram à caça de um religioso que fugira da perseguição política no Vietnã e buscou refúgio em Ban Sai Jarern. Justamente nesta aldeia de cristãos a maioria é hmong, além de 20 famílias refugiadas do Vietnã.

No Laos, as autoridades comunistas foram durante muito tempo hostis aos hmong por terem lutado ao lado dos EUA na Guerra do Vietnã. E as autoridades os vêem freqüentemente como partidários do líder separatista, o general Vang Pao.

“Esta hostilidade é dobrada se forem cristãos hmong, pois o governo considera o cristianismo protestante uma religião estrangeira imperialista apoiada por interesses políticos no Ocidente, particularmente os EUA”, disse a fonte.

Conseqüentemente, as forças do governo detiveram indiscriminadamente e mataram muitos cristãos hmong equivocadamente associados aos separatistas.

Membros da igreja de Sai Jarern relataram que ninguém da congregação teve qualquer contato ou comunicação com rebeldes separatistas.

“O governo do Laos deve ter mais cuidado e respeito no modo como lidam com hmongs, sejam eles cristãos ou não”, disse a fonte cristã. “Tal brutalidade sempre estará errada aos olhos de Deus.”

Fonte: Portas Abertas