Os lingüistas brasileiros Cristiano e Eliane Barros, membros da Associação Lingüística Evangélica Missionária – ALEM, estão traduzindo o Velho Testamento para o Caiuá falado nas aldeias do Sul de Mato Grosso do Sul e no Paraguai.

Ao todo, mais de 45 comunidades do Estado, principalmente das cidades de Dourados, Amambai, Caarapó e Mundo Novo, terão a bíblia traduzida.

Nos últimos anos o trabalho é revisado pela lingüista Loraine Bridgeman, uma norte americana do estado de Minnesota que há mais de 50 anos recebeu licença do governo brasileiro para estudar a língua dos indígenas e de traduzir a bíblia. Loraine, que fez seu Mestrado e PhD em lingüística e antropologia na Universidade de Indiana em Bloomington, Indiana, agora é aposentada da Sociedade Internacional de Lingüística, onde foi professora, tradutora e consultora de tradução. Todo o material que chega para ela é verificado junto com os próprios indígenas.

“É um trabalho árduo, mas muito valioso. Recebi um material que é de Sofonias que já está em sua quarta revisão. Às vezes uns versículos ficam pendentes para muito tempo até descobrir a maneira mais natural de expressar seu conteúdo na língua. Recebi semana passada textos de Ageu e Naum e dois indígenas de Amambai me auxiliaram na verificação. Sempre procuramos colaboradores indígenas”, conta.

Em Dourados, 2 mil cópias já estão disponíveis para venda e distribuição dos textos do Novo Testamento além de Gênesis, Salmos e Provérbios, do Antigo Testamento. Estes foram impressos pela Sociedade Bíblica Brasileira. “A necessidade de cópias dos livros atende a demanda de cada comunidade”.

O trabalho de passar a palavra de Deus para os Caiuá começou em 1957. Incluiu o estudo científico da língua, depois de descreveram a fonologia e gramática da língua, publicarem cartilhas e estórias ditadas pelos Caiuá. Aí iniciaram a tradução com textos menores, a primeira publicação sendo um livreto de histórias bíblicas. O primeiro livro impresso foi o Evangelho de São Marcos, traduzido pelo casal Taylor junto com vários Caiuá.

Em 1986, foi lançado o Novo Testamento em Caiuá, fruto de uma equipe composta do casal Inglês, John, Mestrado em Línguas Orientais da Universidade de Oxford e Audrey, Bacherelado em Educação, Loraine, e mais de cem Caiuá. Em abril deste ano, existiam somente duas cópias desta primeira edição. A equipe conseguiu o custo de mais impressões e no fim de outubro, dois mil exemplares já estavam à disposição dos índios. “Agora, o casal Barros e alguns Caiuá estão traduzindo o último 30% do Velho Testamento”, conta feliz a lingüista.

Só em Dourados, mais de 9 mil Caiuá moram na Reserva Indígena e no estado o número chega a mais de 30 mil. Indígenas Guarani Mbya, localizados no Paraná, Argentina e Paraguai, já possuem a tradução da Bíblia inteira, lançada em 2004. Umas 10 mil cópias já estão sendo distribuídas para essas comunidades.

Fonte : Dourados News