A Polícia Civil vai instaurar inquérito contra Afonso Henrique Alves Lobato (foto), de 25 anos, para investigar a prática dos crimes de intolerância religiosa, injúria qualificada e incitação ao crime. Afonso foi preso em 2 de junho do ano passado após invadir e depredar um Centro Espírita.

Seguidor da igreja Geração Jesus Cristo, ele postou em março deste ano, no YouTube (página de vídeos gratuitos na internet), um vídeo em que faz afirmações como “centro espírita é lugar de invocação do diabo”; “todo pai de santo é homossexual”; “a Bíblia diz que (…) a adoração por imagens e esculturas é abominação, então eu repudio aquelas imagens também”.

Afonso foi preso em 2 de junho do ano passado, com outros três seguidores da mesma igreja, após invadir e depredar o Centro Espírita Cruz Oxalá, no Catete. Na ocasião, cerca de 50 imagens de santos foram quebradas.

Os quatro foram levados por policiais do 2º BPM (Botafogo) à 9ª DP (Catete) e autuados por impedimento a culto. Como o crime tem menor potencial ofensivo, o caso foi para o Juizado Especial Criminal, que os condenou ao pagamento de cestas básicas.

Por determinação do delegado Henrique Pessoa, do Departamento de Polícia da Capital (DPC), o inquérito vai ser aberto na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).

— Desta vez, será aberto um inquérito pelo crime de intolerância religiosa, previsto na Lei Caó. A pena varia de dois a cinco anos de detenção. Vamos tentar pedir a prisão desse rapaz. No vídeo, ele demonstra que não tem qualquer respeito à lei e às autoridades constituídas. Pessoas assim são de extrema periculosidade — afirmou Pessoa.

O delegado foi comunicado da existência do vídeo pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa.

— Esse tipo de atitude é um risco à democracia, que garante a liberdade de religião — disse Ivanir dos Santos, membro da comissão.

Por meio do pastor da sua igreja, Afonso disse que tudo o que ele tinha a dizer sobre o caso está no vídeo.

Pastor defende fiel que atacou centro espírita

O pastor Tupirani da Hora Lores, de 43 anos, líder da Igreja Geração de Jesus Cristo, no Morro do Pinto, aprovou a idéia de Afonso Henrique Alves Lobato, um dos seus seguidores, que postou na internet um vídeo ofensivo contra as religiões afros, os pais-de-santo e a polícia. Nesta quarta-feira, em sua igreja, o pastor disse que não reconhece a lei dos homens e que a única lei que obedece é a Bíblia. Mas, o líder religioso se contradiz quando defende o direito à liberdade de expressão prevista na nossa Constituição.

— Apoio a decisão dele (Afonso Henrique). A liberdade de expressão é um direito de todos. Não sou a favor das leis feitas no Congresso. Lei é a Bíblia. Ela eu defendo com unhas e dentes — enfatizou o pastor.

Tupirani sabia desde março, quando o vídeo foi colocado na internet, que Afonso Henrique iria fazer um ataque às polícias e às religiões afros. Na ocasião, o pastor apenas alertou Afonso Henrique das consequências que poderiam surgir com a divulgação do vídeo:

— Eu perguntei ao Afonso Henrique: É isso que você vai colocar na internet? Está preparado para assumir as consequências?

Apesar de se dizer contra aos ataques a outras religiões, o pastor Tupirani alegou que não tem como impedir as atitudes dos fiéis que frequentam a Igreja Geração de Jesus Cristo.

— Os membros da minha igreja não têm que seguir o que eu penso. Todos eles são responsáveis por seus atos — defendeu-se.

O pastor acha pouco provável que a Justiça conseguirá provar que Afonso Henrique, em seu vídeo, cometeu crime de intolerância religiosa:

— Se ele for chamado para depor por causa desse vídeo, a polícia terá que ouvir também outras milhares de pessoas que colocam outros tipos de vídeos na internet. Estamos preparados para dar apoio jurídico a ele.

Fonte: Extra online