O Governo do Iraque pediu neste sábado que os muçulmanos do país que evitem ataques aos membros da minoria cristã, após as palavras do Papa Bento XVI sobre o Islã e o profeta Maomé.

Este pedido foi feito pelo porta-voz do Governo, Ali Al Dabagh, após um grupo de homens ter atacado na sexta-feira, com facas e tochas, a porta de uma igreja dos assírios iraquianos no centro da cidade de Basra, no sul do país.

“O Governo pede aos muçulmanos que evitem ações que possam prejudicar os irmãos cristãos no Iraque”, disse Dabagh.

O porta-voz reiterou que o discurso do Papa “mostra que não entende bem as doutrinas do Islã, que defendem a tolerância e a paz”.

Assim como outros países árabes, como Egito e Kuwait, o Ministério de Exteriores do Iraque convocou hoje o chefe da missão do Vaticano em Bagdá para pedir “explicações” sobre as palavras de Bento XVI.

Essas declarações foram parte de um discurso pronunciado na terça-feira passada pelo Papa na universidade de Regensburg, na Alemanha, no qual o Pontífice citou um diálogo entre o imperador Manuel II Paleólogo (1391) com um erudito persa.

Nele, o imperador perguntava ao persa que mostrasse algo que o mundo devesse a Maomé que fosse novo, e ele mesmo respondia que só encontraria coisas “ruins e desumanas, como sua ordem de divulgar, usando a espada, a fé que pregava”.

O sunita Partido Islâmico Iraquiano (PII) advertiu hoje em comunicado que essas palavras “podem causar ações de violência entre cristãos e muçulmanos”.

Em declaração divulgada ontem pelo secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, Bento XVI expressa que “sente muito” que suas palavras sobre o Islã tenham parecido ofensivas para os muçulmanos.

O Papa “sente muito que alguns fragmentos de seu discurso tenham parecido ofensivos à sensibilidade dos muçulmanos e tenham sido interpretados de modo que não corresponde em nada com suas intenções”, afirma a nota.

No entanto, este esclarecimento não é suficiente para algumas autoridades muçulmanas, que pediram que o Papa intervenha pessoalmente e de forma rápida para evitar qualquer repercussão.

Fonte: Último Segundo