Centenas de jovens judeus e árabes se confrontaram, na madrugada desta quinta-feira, na cidade de Aco, no norte de Israel.

Os confrontos ocorreram durante o feriado mais importante da religião judaica, o Yom Kipur, e causaram sérios danos a dezenas de lojas e veículos no centro da cidade.

De acordo com a polícia de Aco, os incidentes violentos que ocorreram na madrugada desta-quinta feira foram os mais graves dos últimos oito anos.

Segundo o jornal Haaretz, que é praticamente o único veículo de comunicação que funciona em Israel nesse feriado, os confrontos entre habitantes judeus e árabes de Aco, que é uma cidade mista na Galiléia, começaram quando um habitante árabe entrou dirigindo seu carro em um bairro de maioria judaica.

Durante o feriado do Yom Kipur, o Dia do Perdão, Israel literalmente pára e a maioria judaica da população não trabalha e nem dirige veículos.

Para muitos judeus israelenses, dirigir um veículo no dia do Yom Kipur significa desrespeitar o feriado mais sagrado para a religião judaica.

Já nas aldeias e cidades árabes, a vida segue normalmente.

Moradores do bairro judaico começaram a jogar pedras no carro do cidadão árabe e rapidamente centenas de jovens dos dois lados correram ao local e o confronto se ampliou para uma violência sem precendentes nos últimos anos.

A polícia, que usou gás lacrimogênio e um canhão de água para dispersar a multidão, só conseguiu restaurar a ordem depois de algumas horas e não conseguiu impedir a depredação de dezenas de lojas e veículos na rua central da cidade, a rua Ben Ami.

O comandante da delegacia de Aco, Avi Adri, disse ao jornal Haaretz que a polícia vai tratar “duramente” os “vândalos”.

A gravidade do incidente em Aco demonstra a tensão de caráter étnico e nacional entre as duas populações de Israel.

O incidente ocorre em uma data particularmente sensível. Sempre em outubro, árabes relembram o início da Intifada (o levante palestino), há oito anos, e a dura repressão de forças de segurança de Israel contra as manifestações em solidariedade aos palestinos que eclodiram espontaneamente em vários pontos do país.

A ação da polícia israelense nesses protestos causou a morte de 13 árabes.

Fonte: BBC Brasil