De 6 de setembro a 15 de outubro personalidades de todo o mundo vão se unir ao jejum iniciado pelo reverendo David Duncombe, em Washington, exigindo do Congresso dos Estados Unidos a aprovação de lei que anule a dívida externa reclamada pelos países do Sul.

Como ante-sala da Semana de Ação Global contra a Dívida e as Instituições Financeiras Internacionais (IFIs), convocada de 14 a 21 de outubro por centos de movimentos e organizações em todo mundo, líderes sociais e religiosos jejuarão em repúdio à dominação que a dívida exerce sobre os povos empobrecidos do Sul.

Entre outros, vão se somar à iniciativa o arcebispo da África do Sul, Njongonkulu Ndungane, sucessor de Desmond Tutu, o reconhecido ativista contra o regime do Apartheid, Dennis Brutus, além de pastores de diferentes igrejas e congregações cristãs.

Da Argentina estarão unidos à campanha, agendada para a quinta-feira, 6 de setembro, o Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, o pastor da Igreja Evangélica Luterana (IELU), Ángel Furlan, além de Gladys Jarazo e Pablo Herrero Garisto, de Diálogo 2000.

Ao unir-se ao jejum, Pérez Esquivel afirmou que não é justo pagar uma dívida imoral que atenta contra Deus e a vida dos povos. “Ao invés de gastar bilhões de dólares para a destruição e a morte dos povos em guerras e conflitos em diversas partes do mundo, que paguem o que devem aos povos explorados e empobrecidos, porque não somos devedores, mas merecedores”, declarou.

Também vão aderir ao jejum Nora Cortiñas, de Mães da Praça de Maio, María Bassa, do Espaço Ecumênico, Rina Bertaccini, co-presidenta do Conselho Mundial da Paz, e Beverly Keene, coordenadora de Jubileu Sul Américas.

Durante o jejum as organizações de todo o país e do continente vão ser convidadas a aderirem à Semana de Ação Global, promovendo atividades em suas cidades e regiões.

A Semana de Ação Global contra a Dívida e as IFIs é uma resposta dos movimentos e organizações populares contra as conseqüências da dívida, pelo repúdio e a anulação das dívidas multilaterais e ilegítimas, em favor da promoção de auditorias integrais das dívidas e as IFIs, a transparência e o controle cidadão nos processos de anulação, o fim dos condicionamentos e as políticas neoliberais e a geração de alternativas autônomas e soberanas de financiamento.

Fonte: ALC