A indenização a ser paga pelos jesuítas por abusos sexuais ocorridos no Alasca é a maior já oferecida por uma ordem católica, em um dos poucos acordos bem-sucedidos nesse tipo de caso, disseram advogados das vítimas na segunda-feira.

“Parece que o Alasca era um depósito de predadores”, disse Barbara Blaine, presidente da entidade Rede de Sobreviventes de Abusos por Padres, de Chicago, comentando o acordo, divulgado no domingo, pelo qual a Província do Oregon da Sociedade de Jesus aceita pagar 50 milhões de dólares em indenizações.

Advogados disseram que o valor se destina a 110 vítimas de aldeias indígenas do Alasca onde padres e missionários cumpriam tarefas da comunidade jesuíta do Oregon.

“Nenhuma quantia jamais devolverá uma infância, uma alma ou uma comunidade”, disse Ken Roosa, advogado de uma das vítimas.

“Em algumas aldeias, é difícil encontrar um adulto que não tenha sido sexualmente violado por homens que usaram a religião e o poder para estuprar, envergonhar e então silenciar centenas de crianças nativas no Alasca. Apesar disso tudo, nenhum líder religioso católico já admitiu que padres-problema eram jogados no Alasca”, acrescentou.

A província jesuíta do Oregon não se manifestou diretamente, mas seu superior, John Whitney, afirmou ao Los Angeles Times que o grupo estava “frustrado” pela divulgação “prematura e nociva à província” dos detalhes do acordo por parte dos advogados.

O acordo não implica nenhuma admissão de culpa por parte dos jesuítas, e também não diz respeito à Diocese de Fairbanks, que segundo os advogados também foi responsável pelos abusos.

O maior acordo com a Igreja Católica nos EUA foi em julho passado, com a Arquidiocese de Los Angeles — 660 milhões de dólares para indenizar 508 vítimas em casos de abusos que remontavam à década de 1940.

Fonte: Reuters