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Seis meses depois de ter sido inocentado de acusações por ter obtido documentos confidenciais do Vaticano, o jornalista Emiliano Fittipaldi está prestes a lançar um novo livro, nesta quinta-feira, em que coloca a Igreja no centro da polêmica novamente. Agora, em “Lussuria” (“Luxúria”), Fittipaldi acusa o Papa Francisco de fazer “quase nada” para conter o abuso sexual na Itália e ao redor do mundo, apesar dos frequentes discursos do argentino sobre um posicionamento de zero tolerância com o crime dentro da Igreja.

O jornalista fez uma imersão em documentos de processos judiciais e entrevistou membros da Igreja e oficiais da Justiça, conseguindo um retrato desastroso dos três anos de papado do argentino. Segundo Fittipaldi, o Vaticano recebeu cerca de 1.200 denúncias de moléstia a meninos e meninas de todo o mundo neste período. Em muitas denúncias originadas na Itália, por exemplo, o autor do livro aponta que os padres foram sentenciados como abusadores, mas a Igreja não tomou nenhuma ação efetiva contra eles.

Um dos casos detalhado por Fittipaldi é o do cardeal australiano George Pell, assessor do Papa Francisco para assuntos econômicos, que permaneceu no cargo mesmo tendo sido acusado de ter protegido sacerdotes que abusaram de crianças em série, em sua arquidiocese. Um representante de Pell que conversou com o jornal britânico “The Guardian” classificou o trabalho do autor como uma amostra de um “jornalismo de má qualidade e datado”.

“A mensagem principal do livro — o problema — é que o fenômeno da pedofilia não está sendo combatido com a força necessária. Ao redor do mundo, a Igreja continua a proteger a privacidade de pedófilos e também a dos cardiais [que os protegem]”, afirmou Fittipaldi ao “The Guardian”. “Francisco não está defendendo diretamente os pedófilos, mas ele faz quase nada para combater o fenômeno da pedofilia”, acrescentou.

Esta não é uma acusação nova contra o papa. Se Francisco é popular por suas declarações em favor dos pobres e marginalizados, grupos que defendem vítimas de abuso sexual têm criticado o argentino por ter falhado na tomada de passos concretos para prevenir e expor o crime. Um tribunal anunciado em 2015 pelo Vaticano para investigar bispos que acobertam abusadores, por exemplo, está paralizado sem explicações.

Fittipaldi alega também que, sob o papado de Francisco, sacerdotes que praticam a omertà — um termo da máfia italiana para um código de silêncio — foram favorecidos na Igreja.

Outro incidente relatado é o acolhimento concedido por Francisco ao padre Mauro Inzoli, conhecido como “Dom Mercedes” por sua vida de luxo. Inzoli foi condenado por ter abusado de crianças em 2012 e foi desligado do clero pelo Papa Bento XVI. Porém, em 2014, o Papa Francico suavizou a decisão, permitindo que “Dom Mercedes” retornasse à Igreja sob condições limitadas, desfrutando de uma vida de “humildade e oração”. Autoridades civis italianas criticaram a Santa Sé por não ter colaborado com as investigações.

“Lussuria” recupera também dezenas de casos que receberam uma cobertura marginal da imprensa — casos individuais que, quando tomados em conjunto, formam um mosaico, segundo o jornalista.

[b]Fonte: O Globo[/b]