O vendedor Smayler Gati Robles de Paula, de 23 anos, – que matou três pessoas ao atropeladas com o Vectra de seu pai na madrugada do domingo, na Rua Clélia, Lapa, zona oeste da capital – mudou sua versão sobre o acidente em depoimento à polícia no final da tarde de segunda.

A princípio, o vendedor havia dito à polícia, de maneira informal, que desviara de um outro carro, que o teria fechado. Porém, em depoimento, ele não mencionou outro veículo.

– Ele não perdeu o controle do carro. Ficou surpreso ao dar de frente com as pessoas na rua e não teve tempo sequer de frear – disse seu advogado, Marcos Soares, já que o rapaz se recusou a conversar com os repórteres que o aguardavam em frente ao 7º DP (Lapa), que investiga o caso.

Responsável pelo inquérito de homicídio culposo (sem intenção) a que o jovem responde, o delegado Lupércio Antonio Dimov não viu contradição nas versões apresentadas.

– O relato para o boletim de ocorrência é rápido – justificou Dimov.

Smayler contou no depoimento que estava a, no máximo, 60 km/h no momento do acidente. Outras duas pessoas que saíam da casa noturna Sampa Hall e pelo menos três carros parados na rua foram atingidos pelo Vectra. O delegado não acreditou na versão do vendedor:

– Ele estava em velocidade incompatível para o local. A 60 km/h dá para frear o carro – disse Dimov.

Alegando ser freqüentador da Igreja Bíblica Evangélica da Comunhão, o rapaz disse que não consumiu álcool antes do acidente.

– Ele não bebe e nunca bebeu – disse o advogado.

No depoimento, Smayler contou que voltava de uma festa de 15 anos de uma colega de sua igreja na Vila Jaguara, zona norte. Depois de deixar dois amigos na região, ele voltava para a zona oeste para onde levava outros dois colegas à Rua Clélia, segundo contou o delegado. Morador da Vila Pompéia, bairro vizinho à Lapa, o rapaz alegou conhecer muito bem a região do acidente.

Andréia Ferreira dos Santos, de 22 anos, e o casal de namorados Lidiane Amorim de Oliveira, de 21, e José Wilson da Silva, 35, que iam se casar em março, foram enterrados na manhã de segunda-feira no Cemitério da Vila Alpina, zona leste da capital. Eles eram muito amigos e foram sepultados lado a lado.

Cerca de 200 pessoas compareceram ao funeral, que ocorreu em clima de revolta. Uma salva de palmas e uma Ave Maria homenagearam os amigos. Todos exigiram justiça.

Fonte: Globo Online