O primeiro vice-presidente do Irã disse durante um encontro sobre combate às drogas patrocinado pela ONU que o judaísmo incentiva e tira proveito do narcotráfico para destruir o mundo.

A declaração antissemita, que põe em xeque a bem-sucedida cooperação antidrogas da ONU com o Irã, destoa da posição tradicional pela qual Teerã abomina Israel, mas reconhece a fé praticada por 20 mil iranianos em relativa liberdade.

“A proliferação das drogas no mundo emana dos ensinamentos do Talmude [livro sagrado do judaísmo]”, disse Reza Rahimi anteontem em um auditório em Teerã.

“O Talmude ensina que é lícito enriquecer tanto por meios legais quanto ilegais, o que dá aos judeus o direito de destruir a humanidade.”

Segundo na hierarquia do governo após Mahmoud Ahmadinejad, Rahimi disse que a prova de que os “sionistas” controlam o narcotráfico é que não há, segundo ele, judeus viciados em drogas.

Ahmadinejad já deu diversas declarações relativizando o Holocausto e pedindo a eliminação de Israel. O vice-presidente também afirmou que “ginecologistas matam bebês sob ordens de sionistas”.

A fala deixou estarrecidas dezenas de convidados estrangeiros na plateia.

“Foi o discurso mais nojento que já ouvi na vida”, disse um representante europeu.

A fala é tida como uma polêmica conscientemente orquestrada pelo círculo de Ahmadinejad, enfraquecido e em fim de mandato, como maneira de demonstrar influência e minar as negociações nucleares das quais o presidente foi excluído.

Israel chamou o Irã de “regime de fanáticos antissemitas” e comparou Rahimi a Adolf Hitler, líder nazista alemão responsável pelo extermínio de milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial. Segundo a Folha apurou, a representação israelense na ONU, em Nova York, contatou o secretário-geral Ban Ki-moon para queixar-se da presença do órgão no evento.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]