A comunidade judaica de todo o mundo celebra nesta quinta-feira o final do Iom Kipur, o Dia do Perdão, data mais sagrada de todo o calendário judaico. Na noite de ontem (8) começou o período de 25 horas ininterruptas de jejum durante o qual os judeus pedem perdão pelos pecados cometidos.

Segundo o relato bíblico, o primeiro Dia do Perdão acontece quando Moisés, depois de 40 dias na presença de Deus, desce do monte Sinai e mostra aos judeus no deserto as tábuas da lei, contendo os dez mandamentos. Conforme o livro do Êxodo, os judeus –recém-libertos da escravidão no Egito– estavam arrependidos por terem adorado um bezerro de ouro e interpretaram as tábuas como um sinal do perdão divino.

“O Iom Kipur é reservado para a introspecção, é um momento em que as pessoas revêem erros do passado e se reconciliam com as outras e com elas mesmas”, contou o rabino Michel Schlesinger, da Congregação Israelita Paulista (CIP), à Folha Online.

“O Iom Kipur tem uma mensagem universal, de viver uma vida de introspecção, reflexão e análise; de não permitir que a pressa do cotidiano se sobreponha à necessidade de rever os caminhos, os nossos passos”, afirma Schlesinger.

Durante as orações, os judeus batem no peito, representando o arrependimento do coração que desagradou a Deus. Os sacerdotes vestem o kitel, uma roupa inteiramente branca que simboliza a pureza com que devem se apresentar diante de Deus para o perdão. Outra tradição é evitar sapatos de couro, que representam a riqueza e o luxo, dispensáveis em um momento de humildade.

O Iom Kipur acontece sempre dez dias depois do Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico. No intervalo, acontecem várias festas para celebrar a criação do mundo –segundo o calendário judaico, há exatos 5769 anos.

Fonte: Folha Online