Grupos judaicos criticaram o papa Bento 16 nesta quarta-feira por ter se encontrado com um padre radical polonês acusado de fazer declarações anti-semitas.

O padre Tadeusz Rydzyk, dono de uma rádio muito criticada por grupos judaicos, foi recebido pelo papa no domingo na residência pontifícia de verão, depois da oração semanal do Angelus feita pelo papa.

Dias antes, Rydzyk pedira desculpas publicamente por ter acusado um “lobby judaico” de tentar tirar milhões de dólares do Estado polonês. Ele também havia chamado o presidente do país de mentiroso.

Os grupos judaicos disseram que o encontro dá mais visibilidade a Rydzyk e à sua Radio Maryja.

“(O papa) infelizmente lhe emprestou a incalculável credibilidade do seu cargo e credibilidade aos olhos do mundo”, afirmou Abrahm Foxman, da Liga Anti-Difamação, entidade judaica dos EUA.

O Congresso Judaico Europeu se disse “chocado” com o encontro, afirmando que o papa alemão na prática “deu sua bênção a um homem e uma instituição que macularam a imagem da Igreja judaica.”

Seguindo os passos de seu antecessor, João Paulo 2o, Bento 16 visitou no ano passado o antigo campo de concentração nazista de Auschwitz. Ali, afirmou ser um “filho da Alemanha” e perguntou por que Deus silenciou diante da morte de 1,5 milhão de pessoas no local.

Em setembro, o papa deve visitar um monumento a vítimas do Holocausto na Áustria.

Fonte: Reuters