A visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil na próxima quarta-feira gerou protestos neste domingo em São Paulo e no Rio de Janeiro. No Rio, o protesto foi na praia de Ipanema, próximo à rua Vinícius de Moraes.

Segundo a Polícia Militar de São Paulo, a manifestação levou cerca de 300 pessoas à praça dos Arcos, na região central da cidade. O protesto, que começou por volta das 11h20 e durou cerca de uma hora e meia, foi contra as declarações do presidente iraniano sobre o Holocausto.

Durante a conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre racismo, em Genebra, Ahmadinejad questionou a existência do massacre de judeus por nazistas na Segunda Guerra Mundial.

O protesto foi organizado pela JJO (Juventude Judaica Organizada) em parceria com grupos judaicos e homossexuais, evangélicos, entre outros grupos ligados aos direitos humanos.

Na última quinta-feira (30), o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) rebateu as críticas do governo de Israel à visita de Ahmadinejad ao Brasil. Amorim disse que o Brasil é soberano para receber chefes de Estado e representantes de outros países, além do Irã ser um importante parceiro comercial brasileiro.

“Não deveria haver [críticas] porque na realidade nós temos relações com o Irã. O Irã é um grande país, que indiscutivelmente tem papel no Oriente Médio e é um parceiro. Não deixamos de dar nossas opiniões, publicamente o fizemos recentemente, de modo que não vejo preocupação. E, se com cada país com que discordamos de alguma coisa, não pudermos aceitar visitante aqui, vai ficar muito difícil, não vamos receber ninguém”, afirmou.

Urgência

Na tentativa de impedir a visita do presidente do Irã ao Brasil, o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) pediu na semana passada à Câmara urgência na votação do projeto de lei de sua autoria que penaliza a negação do Holocausto.

“O Holocausto é um fato público que esse canalha [Ahmadinejad] insiste em negar. Ele promete promover o segundo Holocausto. É inconcebível que o Brasil receba um chefe de Estado que nega a existência de um massacre contra mais de 6 milhões de judeus”, disse o deputado.

Fonte: Folha Online