Barack Obama terá o direito de usar a frase “So help me God” (“com a ajuda de Deus”, em livre tradução para o português). A liberação foi dada por uma corte distrital de Washington D.C, nesta quinta-feira (15).

O caso ganhou destaque após o advogado Michael Newdow, ativista ateu que busca tirar referências religiosas de práticas do governo do país, entrar com uma ação na Justiça em nome de um grupo de ateus.

Segundo Newdow, com a menção a Deus, incluída pela Suprema Corte, os cidadãos de outras crenças são excluídos do discurso que deveria ser representativo de toda a população do país. Se dependesse dele, o juramento iria se encerrar na menção à Constituição, sem falar em religião.

“O que reclamo é que a Suprema Corte dos Estados Unidos defina que o texto constitucional do juramento obrigatório para que o presidente assuma o cargo inclua uma citação a Deus. A Justiça não pode mudar a Constituição com base em religião nenhuma. Isso me ofende pessoalmente. Os indivíduos podem fazer o que quiserem, mas o meu governo não pode dizer que nós, como povo, acreditamos em nada”, havia dito Newdow, antes da decisão do juiz Reggie Walton desta quinta-feira (15).

Tradição

O texto do juramento diz: “Eu solenemente juro que vou executar fielmente o cargo de presidente dos Estados Unidos, e vou fazer o possível para proteger, preservar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos”. Ele fez parte da posse de todos os presidentes, e a tradição diz que o primeiro líder do país, George Washington, teria incluído a menção a Deus no final, em 1789.

Por mais que se questione atualmente a falta de provas de que Washington tenha se referido a Deus, muitos defendem a conclusão como parte da tradição política do país. Newdow, entretanto, discorda do argumento e acusa a tradição de ter elementos nocivos para a sociedade.

“Este argumento da tradição já serviu para dizer que era tradição manter brancos e negros em lugares separados nos ônibus, ou dizer que as mulheres não podiam trabalhar. Muitas tradições são nocivas, e precisam ser analisadas para poder respeitar os direitos civis, independentemente do que dizem a história e a tradição”, disse.

Fonte: G1