Abuso sexual contra menores se tornou rotina no interior de Mato Grosso. Os moradores de uma cidade estão assustados com os casos de pedofilia e crimes contra menores. Um juiz decretou toque de recolher para proteger a população e reduzir a violência.

Os estudantes saem da aula apressadamente. O toque de recolher é rigoroso: “Tenho até 23h30 para chegar em casa”, diz uma estudante.

Todas as noites, policiais percorrem as ruas Marcelândia, no norte de Mato Grosso, para fiscalizar o cumprimento da ordem do juiz. Quem é flagrado fora do horário permitido recebe advertência. Os reincidentes são levados para um abrigo.

Quem trabalha ou estuda à noite anda com medo. De acordo com as investigações, os aliciadores agiam nas ruas e praças do Centro de Marcelândia. O alvo eram menores que moram na periferia da cidade e estavam saindo do colégio.

Os encontros eram marcados por telefone. Foram escutas telefônicas gravadas com autorização da Justiça que ajudaram a polícia a revelar esses crimes. Para atrair os menores, os aliciadores ofereciam dinheiro.

Em uma das escutas, o empresário Jovino Scarpin, segundo a polícia, acerta com uma adolescente o que seria o valor de um programa:

Menor – R$ 120, você pode?
Empresário – R$ 120? Vou formar R$ 100.

Nossa equipe localizou algumas vítimas dos pedófilos: “Me dava dinheiro, celular, roupa. Eu me arrependo. Não deveria ter feito isso”.

As revelações chocaram a população, que testemunhou outros casos, ainda mais graves. No abrigo municipal, estão menores sob proteção da Justiça. Eles foram abusados por parente ou conhecido da família.

O juiz Anderson Candioto, que ordenou o toque de recolher em Marcelândia, diz que em alguns casos, os pais são coniventes: “Adolescentes e os pais desses adolescentes, o que é mais grave, entendem que é comum atividade sexual mercantil com homens do município e de outras cidades que vêm para cá se aventurar sexualmente”.

Até um pastor é acusado de utilizar a igreja em que trabalhava para abusar de menores.

“Ele utilizava da sua função de mentor espiritual dos jovens, professor de futebol e de aula de música, atraia as crianças para praticar atos libidinosos”, explica o delegado Luiz Henrique de Oliveira.

Ele foi condenado a 79 anos de prisão por ter violentado seis adolescentes. Até uma arma o pastor usava para coagir as crianças: “Ele colocou uma arma na minha cabeça e me ameaçou. Disse que se eu não fizesse, ia ficar por ali mesmo, ele ia acabar comigo”.

Do ano passado para cá, foram mais de 20 denúncias de abuso sexual. Doze pessoas acabaram presas. Até a Câmara de Vereadores resolveu abrir uma CPI para ajudar nas investigações.

Fonte: Site do Jornal Bom Dia Brasil