O pedido de prisão preventiva de dois pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, acusados de envolvimento na morte de um adolescente, em Salvador (BA), foi apresentado na semana passada pelo promotor de Justiça e chegou ao juiz que deve avaliar o pedido nas próximas horas.

Apresentado na quinta-feira, pelo promotor de Justiça Davi Gallo Barouh, o pedido de prisão preventiva dos pastores da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) Fernando Aparecido da Silva e Joel Miranda chegou ontem às mãos do juiz Vilebaldo José de Freitas, titular da 2ª Vara de Júri de Salvador, e deve ser avaliado nas próximas horas.

Denunciados pelo Ministério Público, os dois religiosos são acusados de envolvimento na morte do adolescente Lucas Vargas Terra, 14 anos, assassinado em março de 2001. Também acusado pelo crime, o pastor auxiliar Sílvio Galiza cumpre pena no Complexo Penitenciário do Estado, no bairro de Mata Escura.

Autor da denúncia, o promotor alerta sobre a possibilidade de evasão dos acusados, que deixaram o estado quando passaram a ser investigados pelo crime e “praticam grande rotatividade de domicílios por todo o Brasil e exterior”. Informações não confirmadas dão conta que atualmente Joel estaria residindo no interior do Pará e Fernando na capital de Pernambuco. Justamente por essa mobilidade, Gallo requer à Justiça a apreensão dos passaportes dos religiosos, evitando que eles deixem o país.

Baseada em declarações do ex-pastor auxiliar Galiza, a denúncia do MP relata que Lucas Terra foi morto no dia 21 de março de 2001, por volta das 22h, dentro do templo Iurd, da Rua João Gomes, s/n, bairro do Rio Vermelho. Além do próprio Galiza, Fernando e Joel Miranda teriam assassinado o menino, cujo corpo foi depois incendiado e abandonado em um terreno baldio na Avenida Vasco da Gama. “O crime foi praticado com requintes de crueldade”, enfatiza o documento do MP, justificando a necessidade de prisão dos acusados, como forma de “fazer cessar a impunidade”, ressalta Gallo.

Incansável na luta pela punição dos criminosos, o ex-empresário José Carlos Terra, pai da vítima, empreende uma espécie de peregrinação mundo afora denunciando o crime e se encontra em Bonn, na Alemanha, sede da Organização das Nações Unidas (ONU), exatamente em busca de apoio à sua luta.

De acordo com o advogado Osvaldo Emanuel Alves, assistente de acusação no caso, as viagens são custeadas por organismos internacionais envolvidos nas causas dos direitos humanos. Seu retorno a Salvador deve acontecer até o final da semana.

Fonte: Correio da Bahia