O caso da adolescente cristã britânica, Lydia Playfoot (foto), de 16 anos que acusa sua escola de discriminação contra cristãos devido à proibição do uso dos chamados “anéis de pureza” está sendo revisto pela Alta Corte do país.

A escola Millais, na região de West Sussex, pediu à estudante que tirasse o anel, que simboliza castidade, caso contrário seria expulsa da escola.

A adolescente alega que estudantes muçulmanos e sikhs tem o direito de usar véus na cabeça e pulseiras nas salsa de aula.

A escola nega que esteja desrespeitando os direitos humanos da estudante e insiste que o anel não é parte essencial da fé cristã.

O correspondente da BBC para assuntos religiosos Robert Piggott afirmou que um grupo de meninas na escola estava usando os anéis como parte de um movimento chamado “The Silver Ring Thing” (“A coisa do anel prateado”, em tradução livre).

Este movimento nasceu nos Estados Unidos e promove a abstinência entre jovens.

Segundo Piggott o movimento está se espalhando pela Grã-Bretanha como parte de um protesto maior de tradicionalistas cristãos contra o que eles vêem como secularização da sociedade.

‘Sexualmente puros’

Os anéis trazem inscrições que fazem referência a um versículo bíblico, que pode ser traduzido como: “Deus quer que você seja sagrado, então você deve se afastar de todo pecado sexual. Então, cada um de vocês controlará o corpo e viverá em santidade e honra”.

A escola de Playfoot afirma que o anel que estudante usava desrespeitava regras do uniforme e pediu que o anel fosse retirado.

Quando ela se recusou, a aluna foi obrigada a deixar a sala de aula e a estudar sozinha.

“A Bíblia fala que você deve se manter sexualmente puro e eu acredito que esta é uma forma para que eu expresse minha fé. Acho que na sociedade em que vivemos hoje, com muitas jovens grávidas ou com doenças sexualmente transmissíveis, algo assim é importante”, disse.

A estudante está tentando uma revisão do seu caso citando o Artigo Nove da Lei de Direitos Humanos britânica que garante liberdade de expressão religiosa.

Playfoot afirma que esta lei deveria proteger seu direito de usar o anel.

A escola vai insistir que não está aplicando uma política discriminatória, pois a permissão para muçulmanos e sikhs é dada apenas a objetos integrais às suas crenças religiosas e argumenta que alunos cristãos têm permissão para usarem um crucifixo.

A primeira apelação de Playfoot foi rejeitasda pela Alta Corte em 2006, mas os juízes concordaram em ouvir o caso novamente depois que ela entrou com um novo recurso.

Playfoot já terminou a escola, mas seu pai, Phil, que é pastor, afirma que ela vai continuar com o caso na Justiça.

O dinheiro para as despesas judiciais está sendo arrecadado por grupos cristãos britânicos.

Fonte: BBC Brasil