Um evangélico americano que assumiu ter matado um médico que praticava abortos para salvar as vidas dos bebês foi condenado por assassinato de primeiro grau pela justiça do Estado do Kansas, nos Estados Unidos.

Scott Roeder, de 51 anos, se declarou inocente da acusação de assassinato, alegando que havia cometido homicídio para prevenir males maiores.

Ele baleou o médico George Tiller, um dos poucos que praticava abortos em estágios avançados da gravidez no Kansas, em uma igreja na cidade de Wichita, em 31 de maio de 2009.

Roeder pode pegar prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional somente após 25 anos. Ele deve receber a sentença no dia 9 de março.

Os juizes levaram apenas 37 minutos para declará-lo culpado de assassinato em primeiro grau.

Ele foi acusado ainda de agressão grave por ter apontado uma arma contra dois funcionários da igreja após balear Tiller.

Crime Os advogados de Roeder esperavam que ele pudesse ser condenado por uma crime menor, de homicídio voluntário.

Mas o juiz Warren Wilbert decidiu que essa acusação não poderia ser considerada porque o aborto, inclusive em estágio avançado, é permitido por lei no Kansas.

O juiz descartou ainda a possibilidade de acusá-lo por assassinato de segundo grau, que não envolve premeditação.

Na quinta-feira, Roeder disse ao Tribunal em Wichita que fez o que achava que era “necessário para proteger as crianças”.

“Eu atirei nele”, disse Roeder. “Se eu não fizesse, os bebês morreriam no dia seguinte”.

O correspondente da BBC em Washington Adam Brookes disse que Tiller vinha sendo alvo de muitos ativistas contra o aborto por muitos anos porque praticava abortos, especialmente em estágios avançados.

A clínica do médico era uma das três nos EUA que praticavam o aborto nesse estágio, ou seja, depois de 21 semanas de gravidez.

A segurança do estabelecimento foi reforçada após um ataque a bomba em 1986. O médico já havia sobrevivido a um ataque contra sua vida em 1993.

Fonte: BBC Brasil