O jogador evangélico Kaká é o melhor jogador de futebol do mundo em 2007. O título foi formalizado na noite desta segunda-feira (horário local) em Zurique, na Suíça, no Fifa Gala, cerimônia organizada pela entidade que rege o futebol.

O planeta aplaude Kaká. Um dia após conquistar o título do Mundial de Clubes, pelo Milan, o brasileiro foi confirmado como o melhor jogador da temporada 2007. O anúncio da Fifa, já esperado, aconteceu nesta segunda-feira, no Zurich Opera House.

Com maioria dos votos, de técnicos e capitães de todas as equipes nacionais das federações afiliadas à Fifa, Kaká, 25, superou o português Cristiano Ronaldo, 22, e o argentino Lionel Messi, 20.

“Conquistei em 2007 muito mais do que eu imaginava. Sonhava com a Liga [dos Campeões], com títulos, mas não pensava ir tão longe. Tudo aconteceu muito rápido e estou bastante feliz. O ano vai ficar marcado profissionalmente e pessoalmente, já que fiquei sabendo que terei um filho em 2008”, disse.

A indicação volta a premiar o Brasil, maior vencedor da história. Em 2006, Ronaldinho Gaúcho perdeu para Fabio Cannavaro e Zinedine Zidane. O astro do Barcelona havia sido aclamado em 2004 e 2005.

Kaká se junta a Romário (1994), Rivaldo (1999), Ronaldo (1996, 1997 e 2002) e Gaúcho. Minutos antes, a brasileira Marta venceu a disputa entre as mulheres e garantiu o “bi”.

Instituído pela Fifa em 1991, o prêmio de melhor do mundo já corou a França (três vezes com Zidane), Itália (duas, com Baggio e Cannavaro), Alemanha (Matthaeus), Holanda (Van Basten), Libéria (George Weah) e Portugal (Figo).

Kaká fez questão de dividir o prêmio com os companheiros de Milan e seleção brasileira. “O grupo é sempre o mais importante. Estou aqui hoje graças ao esforço de todos aqueles que jogam comigo”, salientou. “Ter sido decisivo ajuda muito no individual. Fui artilheiro da Liga e tive uma atuação destacada ontem [domingo, final do Mundial de Clubes]. Só que não fiz nada sozinho”, continuou.

Principal jogador do Milan, o ex-são-paulino disparou nas bolsas de apostas após liderar a sua equipe na conquista da Liga dos Campeões. Destaque e goleador, com dez gols, Kaká passou a colecionar “homenagens” no segundo semestre.

Garantiu a Bola de Ouro, da France Football, tradicional publicação (Ronaldo, Gaúcho e Rivaldo também já levaram), e os prêmios de melhor do mundo da revista World Soccer e FIFPro (sindicato dos atletas).

Além de Kaká e Marta, também foram premiados o argentino Sergio Agüero, destaque do Mundial sub-20 (no Canadá; Argentina campeã), o alemão Toni Kroos, melhor do Mundial sub-17 (realizado no Canadá) e o brasileiro Buru, principal nome do Mundial de Futebol Praia (no Rio de Janeiro).

Melhor do mundo, Kaká superou acidente e rótulo de ‘pipoqueiro’

Kaká precisou driblar muitos adversários e obstáculos até ser eleito nesta segunda-feira o melhor jogador do mundo pela Fifa. O meia-atacante do Milan, que faturou ainda em 2007 a Bola de Ouro da revista France Football, além dos títulos da Liga dos Campeões e Mundial de Clubes, superou um grave acidente e até mesmo o rótulo de “pipoqueiro”, quando ainda defendia o São Paulo.

Em 2000, aos 18 anos, quase teve a carreira comprometida ao fraturar a sexta vértebra em um tobogã. Kaká já era sócio e promessa das categorias de base do Tricolor.

De família de classe média, o jogador também lidou com o preconceito dos companheiros de clube e da própria torcida. Apesar do início fulminante – brilhou na final do Rio-São Paulo, em 2001, contra o Botafogo (marcou dois gols), Kaká seria apontado como um dos responsáveis pela escassez de taças de “peso” do São Paulo à época.

Nem mesmo o título do Supercampeonato Paulista de 2002 e a participação na campanha do pentacampeonato com a seleção brasileira, de Luiz Felipe Scolari, no Japão e Coréia, tranqüilizaram os fanáticos torcedores.

“Isso é normal. Eles não estão satisfeitos e cobram. Sou jovem e tenho muita coisa para aprender. As vaias fazem parte e é preciso saber lidar com a situação. Vai ser bom para a minha carreira. Grandes jogadores passaram por situações ruins, deram a volta e se firmaram como craques. Aconteceu com o Ronaldo e com o Rivellino”, disse ao jornal Folha de São Paulo, quando ainda era franzino, antes do processo de fortalecimento muscular.

O estopim da crise veio em 2003. Chamado de “Barbie” e “pipoqueiro” após atuações apagadas, além de contusões e convocações para a seleção sub-20 que o afastaram da equipe titular, Kaká viu no assédio italiano uma ótima oportunidade para recomeçar. Abriu mão dos 15% a que teria direito e viabilizou sua transferência, por US$ 8,5 milhões líquidos.

Pelo Milan, em 2004, garantiu a Supercopa Italiana e o Italiano. Caiu na disputa da Liga dos Campeões em 2005 e 2006, mas deu a volta por cima em 2007, sendo o destaque do Milan e artilheiro da competição. Em dezembro do mesmo ano, o título do Mundial de Clubes.

Pela seleção brasileira, levou a Copa das Confederações em 2005, mas não brilhou na Copa do Mundo de 2006, também na Alemanha. Com Dunga no lugar de Carlos Alberto Parreira, amargou a “geladeira” nos primeiros jogos, mas retornou na seqüência e é atualmente o principal destaque do time, sendo o vice-artilheiro das eliminatórias sul-americanas.

Fonte: UOL