Com concessão de alvarás e autorizações para eventos, prefeito de São Paulo faz as pazes com igrejas evangélicas e beneficia candidato tucano, José Serra.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), tenta aproximar o candidato a sua sucessão, José Serra (PSDB), de líderes evangélicos que foram beneficiados por atos de sua gestão. Kassab estabeleceu boas relações com as igrejas Renascer em Cristo, Mundial do Poder de Deus e Assembleia de Deus após conceder autorizações para eventos e alvarás para templos religiosos, contestados pelo Ministério Público e pela Justiça.

Nos últimos três anos, Kassab conseguiu inverter uma “guerra santa” travada pelas igrejas no início de seu segundo mandato, quando a Prefeitura fechou templos de duas instituições. Líderes religiosos admitem reservadamente que, desde então, o prefeito passou de um comportamento de “perseguição” para se transformar em um “apoiador” dos eventos evangélicos. A Prefeitura nega favorecimento.

No caso da Igreja Mundial, o prefeito era tratado como inimigo há três anos. Há duas semanas, recebeu uma bênção de seus líderes ao lado de Serra.

[b]Com chifres
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Em 2009, a Prefeitura chegou a lacrar por 53 dias um templo para 15 mil pessoas no Brás, no centro, por falta de licença. Na época, o bispo Valdemiro Santiago, fundador da igreja, atacou Kassab e distribuiu folhetos na região com uma foto do prefeito com “chifres de diabo”.

Após o embate público, a Prefeitura regularizou a situação do templo e permitiu a construção de uma nova sede em um terreno de 14.300 metros quadrados, que deveria ser cortado por uma rua pública, em Santo Amaro, zona sul. A obra foi iniciada e o prefeito enviou à Câmara Municipal, em 2011, um projeto de para revogar a legislação que determinou a construção da rua, mas o texto ainda não foi aprovado.

Depois que Serra foi recebido em um templo da Igreja Mundial e recebeu apoio de seus líderes, Kassab passou a pressionar os vereadores a aprovar o projeto. O MP investiga o caso e estuda pedir a demolição do prédio.

[b]Renascer[/b]

A Prefeitura também foi contestada por ter facilitado um projeto de reconstrução de um templo da Igreja Renascer, que estuda apoiar ou Serra ou Celso Russomanno (PRB).

O plano de seus líderes é reerguer um prédio que desabou em janeiro de 2009, matando nove pessoas. Ao emitir um alvará para a obra, a gestão Kassab não realizou um estudo de impacto de trânsito, embora o edifício tenha capacidade para 1.837 fiéis.

Segundo a legislação municipal, locais de evento com lotação superior a 500 pessoas são obrigados a realizar obras de compensação viária, mas o documento da Prefeitura não enquadrou o templo como polo gerador de tráfego. Ação civil pública movida pela promotora Mabel Schiavo Tucunduva e julgada em primeira instância culminou no cancelamento do alvará de reconstrução.

Em 2009, Kassab desistiu de transferir para o Autódromo de Interlagos a Marcha para Jesus, da Renascer. A igreja conseguiu manter o evento na zona norte e no centro. Serra também obteve, em abril, o apoio do maior tronco da Assembleia de Deus, a Convenção Geral. Em 2009, a Prefeitura foi acusada por um ex-servidor de ter liberado, sem documentação, a reabertura de um templo da igreja no Tatuapé que havia sido lacrado após mais de 20 reclamações por barulho.

Em 2011, a Assembleia de Deus foi autorizada a comemorar seu centenário no Estádio do Pacaembu, meses depois que a Justiça impediu a realização de eventos não esportivos no local. A Universal, que apoia Russomanno, também conseguiu a liberação.

A Prefeitura afirma que a autorização seguiu “critérios estritamente técnicos”. O candidato Fernando Haddad (PT) também se comprometeu a regularizar templos religiosos se for eleito, mas diz que não vai pedir votos em cultos. O petista enfrenta resistência de líderes religiosos, que o responsabilizam pela elaboração de um kit anti-homofobia quando era ministro da Educação.

[b]Fonte: Estadão[/b]