Em nota divulgada à imprensa nesta quarta-feira (27), o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que representa a Renascer em Cristo, afirma que teve acesso ao laudo do IC (Instituto de Criminalística), entregue ontem à polícia. Segundo ele, os peritos isentam a igreja de responsabilidade pelo desabamento da sede em janeiro. O acidente causou nove mortes e deixou mais de cem feridos no Cambuci, zona sul de São Paulo.

Segundo o advogado, o laudo diz que o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), ao liberar a utilização do prédio em 2000, deixou de informar sobre uma das tesouras do telhado, que não havia sido reforçada corretamente. Segundo o IPT, todas elas estavam em ordem, e o prédio foi reaberto após uma reforma feita pela igreja.

O advogado afirma que o erro “gerou legitimamente para a Igreja Renascer a falsa sensação de segurança plena”, que reabriu a sede. “A conclusão do laudo aponta esse ‘vício oculto’ como fator preponderante que desencadeou o desabamento. Dessa forma, é a análise técnica feita pelos peritos que, ao nosso entendimento, isenta de responsabilidade a Igreja Renascer quanto ao evento”, defende.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que ainda não teve acesso ao laudo para se manifestar.

Problema no telhado

Segundo reportagem do jornal “Estado de S.Paulo”, exame elaborado por técnicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), anexado ao laudo final do IC, das 14 tesouras de madeira que sustentavam o telhado, apenas uma, a que ficava em cima do púlpito, não havia recebido reforço metálico durante a reforma da igreja, entre 1999 e 2000. Essa tesoura ruiu em 18 de janeiro, no momento em que fiéis do culto das 17h saíam e outros chegavam para celebração seguinte.

O prédio havia sido interditado havia dez anos por problemas no telhado. A igreja alegou, à época, que um laudo do IPT atestou a qualidade da reforma e que o prédio era seguro. Disse ainda que, no segundo semestre de 2008, foi realizada a troca de telhas. A empresa contratada, Etersul Coberturas e Reformas Ltda, não tinha licença do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-SP).

Já o IPT de SP disse que foi contratado em 1998 para avaliar as condições da estrutura e que recomendou uma série de recomendações para que a qualidade do teto fosse mantida. Informou ainda que, havia nove anos, não tinha acesso à estrutura.

Fonte: UOL