Defensores da liberdade religiosa demonstram-se preocupados com uma lei anti-conversão que está em debate no Parlamento de Sri Lanka. Ela pode ser usada para justificar a discriminação contra a minoria cristã desse pequeno país asiático.

Introduzida em 2004 pelo Jathika Hela Urumaya do Sri Lanka (JHU) – um partido encabeçado por monges budistas – a lei invalida conversões religiosas realizadas “por força”, “suborno” ou outros meios antiéticos, como tirar proveito “da inexperiência, confiança, necessidade, baixo intelecto, ingenuidade ou estado da aflição de alguém”.

Grupos humanitários religiosos temem que a lei, dependendo de como for interpretada ou aplicada, possa ser usada para reprimir qualquer atividade de evangelismo e estimular a violência contra os cristãos evangélicos.

O JHU procura aprovar uma lei anti-conversão desde 2002. A lei atualmente pendente, que tem o apoio do governo, foi deixada de lado em um comitê de 2006, devido a problemas constitucionais.

Budistas fundamentalistas há muito pressionam o governo para resolver “o problema” do crescimento de igrejas cristãs em áreas rurais. Eles acusam organizações cristãs de usar a ajuda que oferece para atrair ou coagir pessoas vulneráveis, fazendo-as mudar. Esses budistas afirmar que tais conversões põem em risco a identidade budista nacional.

O líder de JHU, Omalpe Sobhitha Thero, disse que as duas maiores ameaças contra o Sri Lanka são os Tigres Tâmeis (um grupo separatista militante conhecido como organização terrorista) e os missionários cristãos.

O sentimento de anti-missionário intensificou-se depois do tsunami 2004, que trouxe alguns agentes humanitários cristãos estrangeiros dedicados apenas ao evangelismo.

A Constituição do Sri Lanka concede a budismo um lugar de honra, mas não o reconhece formalmente como a religião do Estado.

O Supremo Tribunal do país, contudo, endossa a discriminação contra organizações não-budistas e afirma que o crescimento do cristianismo ameaça não só a primazia, mas também a existência do budismo

A Constituição dá aos seguidores de outras religiões o direito de praticá-la livremente, mas o Departamento de Estado dos Estados Unidos notou que há ataques esporádicos contra comunidades cristãs. Alguns grupos alegam que o governo tacitamente perdoa o ataque contra cristãos, não castigando os agressores.

Um e-mail enviado por um pastor cingalês exprimiu o medo que há caso a lei seja aprovada e usada para prender quem compartilhar a sua ou atuar na conversão de um budista ou hindu. Teme-se também que ONGs religiosas, como a Visão Mundial, sejam obrigadas a deixar o país.

Fonte: Portas Abertas