O arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, líder mundial da Igreja Anglicana, pediu nesta sexta-feira que os Estados Unidos e a Inglaterra mudem o curso dos acontecimentos no Oriente Médio e exijam um cessar-fogo imediato no Líbano.

“Eu acho que nós realmente devemos nos perguntar se os governos de alguns países ocidentais estão seguindo as consciências de seus respectivos povos”, disse o religioso.

Os Estados Unidos e a Inglaterra declararam que o Hezbollah deve suspender unilateralmente os ataques e libertar os dois soldados israelenses seqüestrados.

“Os principais governos não estão no momento apoiando um cessar-fogo. EUA e Grã Bretanha devem usar sua influência para chegar a um cessar-fogo”, continuou o arcebispo, acrescentando concordar que o Hezbollah provocou a crise.

Os chefes das comunidades religiosas libanesas cristãs e muçulmanas exortaram nesta sexta-feira a ONU a instaurar um cessar-fogo imediato e pediram unidade nacional.

Em comunicado, o conselho dos bispos maronitas, a comunidade cristã mais influente, pediu “ao Conselho de Segurança para colocar definitivamente um fim ao ciclo de violência e proclamar imediatamente um cessar-fogo”.

Ele estimou que um país não merece ser dividido e perder centenas de seus filhos por causa do “seqüestro de dois soldados (israelenses)”.

Os bispos sublinharam a necessidade de preservar “a solidariedade nacional”, estimando que “a hora não é de ajuste de contas” e pedem a seus correligionários para “acolher seus irmãos refugiados, não importa de que comunidade eles sejam”.

Por sua vez, o mufti da República, mais alta autoridade sunita, sheikh Mohammad Rachid Qabbani, e o sheikh Abdel Amir Kabalan, mais alta autoridade espiritual xiita, pediram em comunicado comum que “o Conselho de Segurança determine um cessar-fogo imediato”.

Eles disseram que Israel deve assumir “a responsabilidade pelas vítimas civis e pelos enormes danos” e pediram para os dirigentes políticos “preservarem a unidade nacional e inviabilizarem o plano israelense que visa a semear a discórdia”.

A Igreja Ortodoxa russa advertiu, esta semana, que “a nova escalada da violência no Oriente Médio” coloca em risco a paz inter-religiosa e pode desencadear conflitos entre cristãos, muçulmanos e judeus em várias partes do mundo.

Numa declaração de seu Sínodo, a Igreja Ortodoxa russa reconhece que a comunidade internacional não está conseguindo conter as ações “destrutivas e provocatórias” e o “banho de sangue na Terra Santa”, e que há necessidade agora, de uma “reação eficaz” por parte das nações que “historicamente, exercem autoridade no Oriente Médio”.

A declaração sublinha que o conflito poderá ser resolvido quando todos os Estados e todas as forças políticas afastarem “o terrorismo, o ataque às populações civis e libertarem os reféns”.

O Sínodo ortodoxo russo lança um apelo aos cristãos, muçulmanos e judeus da Terra Santa, para que “se respeitem, independentemente de suas diferenças religiosas, nacionais e de qualquer outro tipo”.

ONU: Meio milhão de pessoas necessitam de ajuda urgente no Líbano

A ONU alertou ontem que meio milhão de pessoas, um terço delas crianças, necessitam de ajuda humanitária urgente no Líbano, por isso, na próxima segunda-feira, fará um pedido internacional de arrecadação de fundos.

O anúncio foi feito pelo subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Jan Egeland, em uma sessão especial do Conselho de Segurança sobre o grave conflito que envolve o Líbano e Israel.

Egeland disse que se calcula que o conflito tenha afetado meio milhão de pessoas, entre as quais são contados tanto os deslocados como os que estão feridos e não conseguem fugir.

A eles se unem cerca de 155 mil cidadãos que conseguiram sair do país e que se encontram refugiados em Estados vizinhos, aos quais também será preciso prestar assistência.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários denunciou que a intensidade dos ataques e a destruição de pontes e estradas impedem a chegada de ajuda humanitária, por isso exigiu o fim imediato das hostilidades e a abertura de corredores para que o atendimento necessário chegue aos desabrigados.

“A guerra, o terror e os ataques a civis têm que ser detidos.

Tanto no Líbano como no norte de Israel e em Gaza. Muitos civis perderam a vida”, disse Egeland.

Antes de Egeland, o chefe da delegação mediadora enviada pela ONU à região, Vijay Nambiar, disse no Conselho de Segurança que até o momento o conflito custou a vida de 300 libaneses e 34 israelenses.

Nambiar insistiu na necessidade de se alcançar um acordo para cessar as hostilidades, de modo que se possa prestar ajuda humanitária e dar uma oportunidade de a via diplomática atuar para resolver o conflito.

Egeland centrou seu discurso na situação humanitária, que piorou gravemente no Líbano após os ataques à infra-estrutura civil, como pontes, estradas, depósitos de combustíveis, aeroportos e escolas.

Especialmente grave é a destruição de estradas, que impede ou impossibilita o acesso da assistência humanitária aos necessitados, disse.

Apesar de a ONU calcular que o Líbano conta com trigo e outros alimentos necessários para manter-se por entre um e três meses, a falta de infra-estrutura dificulta sua distribuição.

Egeland disse ainda que os hospitais estão funcionando, mas estão “sobrecarregados” devido ao elevado número de feridos e aos cortes de energia.

Egeland deve viajar ainda hoje para o Líbano, para avaliar as necessidades humanitárias e determinar qual será o total que se pedirá aos países doadores no chamado que será feito na próxima segunda-feira em Nova York.

As agências da ONU estão fazendo o possível para prestar assistência. O Unicef se concentrou no fornecimento de água e serviços de saneamento, assim como no envio de remédios.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) está vigiando as fronteiras com a Jordânia e a Síria para ajudar os refugiados, e instalou três acampamentos nos arredores de Beirute para os deslocados.

Egeland solicitou oficialmente aos Governos de Israel e do Líbano que permitam a abertura de corredores seguros para que as cargas humanitárias possam chegar à população.

Papa elogia decisão de abrir um corredor humanitário no Líbano

O papa Bento 16 saudou nesta sexta-feira a abertura de um corredor humanitário no Líbano e afirmou esperar que uma trégua seja acordada imediatamente depois.

“Acredito que a abertura de um corredor humanitário já é um fato positivo. Esperamos que uma trégua ocorra imediatamente depois de sua inauguração”, declarou o papa à imprensa em Les Combes, no Vale d’Aosta (norte), onde passa as férias.

Bento 16 lembrou o dia de prece em favor da paz no Oriente Médio, para o qual convidou os fiéis.

“É um gesto diante de Deus, mas que também é percebido pelos homens. Espero que ele também seja notado pelos responsáveis políticos”, disse.

Culto ecumênico no Paraná lembra as vítimas

A comunidade mulçumana, parentes e amigos da colônia libanesa em curitiba, realizaram na sexta-feira mais uma manifestação contra o conflito no Oriente Médio. Um culto ecumênico lembrou as vítimas nos ataques contra o sul do Líbano, e fez um apelo pelo fim imediato das agressões à população civil. O ato reuniu diversas denominações cristãs além dos mulçumanos na mesquita Imam Ali ibn Abi Tálib, em Curitiba, no Alto São Francisco.

O xeique Muhammad Khalil, líder da comunidade muçulmana de Curitiba, leu um manifesto no qual condenou com veemência os ataques do exército israelense contra zonas que o governo libanês onsidera áreas civis no sul do Líbano. Já o governo de Tel Aviv afirma que as regiões atacadas são usadas pelo Hizbollah para efeturar ataques com mísseis contra Israel. A sexta-feira é considerada o dia sagrado dos muçulmanos.

“A nossa prece hoje e sempre é pela paz, contra todas as formas de violência, que hoje aflige não só o Líbano, mas, também, o nosso País”, declarou dom Dirceu Vegini, bispo auxiliar de Curitiba, que representou o arcebispo da capital, dom Moacyr José Vitti, no evento, que teve ainda a participação de dezenas de freiras das mais variadas denominações, pastores evangélicos, cristãos ortodoxos e representantes de movimentos sociais. Após o culto, foi aberta uma exposição de fotos sobre os ataques ao Líbano, na Mesquita, que está aberta à visitação pública.

O presidente da Igreja do Evangelho Quadrangular, Pastor Irineu Rodrigues, lembrou que para falar de paz é necessário, primeiro, falar em amor. “Estamos aqui solidários e confiantes na fé de que é possível ter um Paraná melhor, um Brasil melhor, um mundo melhor”.

Fonte: Último Segundo, Rádio Vaticano, AFP, Folha Online e Jornal do Estado do Paraná