Narciso Diaz, um dos líderes de uma igreja da Associação Caribenha das Igrejas Evangélicas (AEIC), na Colômbia, está em estado crítico depois de ter sido baleado em sua casa no vilarejo de Bonito Viento, uma região rural de Tierra Alta, na província de Córdoba em 11 de setembro.

A bala atravessou sua cabeça e se alojou em sua língua. A tentativa de assassinato foi efetuada por dois paramilitares que foram à sua casa às 4 da manhã, amarraram-no e atiraram nele na frente de sua esposa, Manuela.

Os assassinos deixaram o local quando viram o corpo de Narciso cair, achando que ele não tinha esperança de vida. Manuela tirou seu marido de casa e encontrou um motorista indo à cidade de Montería, o qual poderia levá-los ao hospital.

Quando chegaram, Narciso foi imediatamente levado para cirurgia. Os médicos conseguiram salvar sua vida. No domingo, 14 de setembro, ele retomou a consciência por um momento, mas sua condição continua crítica.

Os mandantes de crime

Os homens que cometeram este ato pertencem a um grupo paramilitar que governa a região. Dizem que está ligado ao grupo “Aguilas Negras” (Águias Negras) e é liderado pelos filhos de “Codinome 08” (Solomon Feris Chadid). Este homem é um ex-comandante paramilitar que pertenceu à Coligação Norte das Forças da Defesa Pessoal Unidas da Colômbia (AUC).

O grupo desfez-se em janeiro de 2006 e foi responsável por monitorar a logística das reuniões entre comandantes na mesa de negociações com o governo. “Codinome 08” foi capturado pelo Departamento de Inteligência da Polícia por promover o rearmamento de grupos ilegais na cidade de Tierra Alta.

“Codinome 08” impôs seu comando quando a AUC ainda era ativa. Alguns acreditam que ele é responsável por uma longa série de assassinatos e de valas comuns. Ele ameaçou pastores e pressionou àqueles que se opusessem a ele.

Família marcada

De acordo com a esposa de Narciso, quem deu a ordem para matar seu marido foram os filhos do “Codinome 08”. Eles estão encarregados de continuar o tráfico da cocaína que começou com o pai deles e três outras pessoas. Aparentemente, o atentado contra Narciso é em retaliação direta à sua recusa em colaborar com a causa paramilitar.

Narciso é um agricultor dedicado e um cristão confesso, além de líder da comunidade. Perto dos 55 anos, ele tem servido como presidente do Comitê de Ação Comunitária do vilarejo onde mora. Ele continua a trabalhar para sua comunidade não só na gerência social, mas também com a pregação do evangelho.

O incidente com Narciso não é o primeiro desastre que esta família enfrentou. Seu genro Ezequiel, um ex-paramilitar que abandonou o ofício na região de Santa Fé de Ralito, foi assassinado em outubro de 2007. Isso aconteceu assim que ele se declarou cristão e começou a participar ativamente da igreja. Ezequiel deixou quatro filhos.

O conflito em Córdoba matou mais de 100 pessoas este ano de acordo com as estatísticas policiais. Essas mortes estão relacionadas à disputa de quem tem o controle da rota do tráfico de drogas, laboratórios e cultivo de cocaína na Costa Atlântica.

Fonte: Portas Abertas