O líder da Igreja Maná, “apóstilo” Jorge Tadeu, acusou o ministro da Justiça e a petrolífera Sonangol de promoverem a cisão da confissão religiosa após a proibição das suas atividades em Angola.

Em declarações à Agência Lusa, Jorge Tadeu classificou os promotores do novo culto, a Igreja Cristã da Arca de Noé, como “rebeldes” e envolve o ministro Manuel Aragão e a Sonangol no apoio e promoção dos dissidentes.

A base da Igreja Cristã Arca de Noé é formada por bispos, pastores e fiéis da ilegalizada Igreja Maná em Angola. O grupo resolveu se afasta do seu líder, Jorge Tadeu, e anunciaram a criação de uma nova confissão.

Os representantes da nova igreja já foram recebidos pelo ministro Manuel Aragão, a quem entregaram o pedido de legalização da congregação e repudiaram supostos ataques de Jorge Tadeu contra as autoridades angolanas.

Seperação

Na segunda-feira, em declarações à Rádio Nacional de Angola (RNA), o bispo António Ferreira acusou Jorge Tadeu de incitar os fiéis da Igreja Maná à desobediência às autoridades.

“O senhor apóstolo quer transformar a Igreja Maná numa religião política, que combate partidos políticos e pretende derrubar governos”, disse o bispo à RNA.

Para Jorge Tadeu, entre os “rebeldes” estão “pessoas com processos-crime em Angola por desvios de fundos e outros crimes”.

“Ora este ministro abafou o caso. E não só está envolvido com estas pessoas, como também a Sonangol, que até hoje nunca respondeu a desvios de dinheiro, que passaram e foram parar a contas da Sonangol”, acusou.

Nas declarações à Lusa, Jorge Tadeu desvalorizou a separação da igreja. “Cisão não há. O que existe são rebeldes. É como numa seara, em que há trigo e joio”, disse, acrescentando que após a proibição de celebração de cultos, fiéis e representantes religiosos da congregação “foram ameaçados de morte”.

“O que eu posso dizer é que se porventura alguma notícia falar que há uma cisão na Maná, é evidente que é conversa política que só pode vir do ministro [Manuel Aragão], que quer beneficiar alguém”, acusou.

Proibição

A Igreja Maná, de origem portuguesa e presente há 18 anos em Angola, teve sua atividade proibida no final em janeiro no país africano, por suposta violação da lei e da ordem pública, segundo um decreto-lei publicado no Diário da República angolano.

Na entrevista à rádio RNA, os líderes da nova Igreja Cristã Arca de Noé consideraram haver um “desvio completo” da palavra de Deus. Segundo o grupo, Jorge Tadeu “procura incutir aos fiéis da igreja o espírito de sublevação contra as autoridades instituídas na terra”.

“Por essas razões nós decidimos trabalhar para legalizar a instituição Igreja Cristã Arca de Noé”, disse o bispo António Ferreira, revelando que os fiéis da Igreja Maná estão sendo orientados para desrespeitar o decreto.

“Neste momento, muitos fiéis, bispos e pastores a tempo integral estão a ser forçados a aderirem à desobediência à lei civil, contrariando o decreto que proíbe a realização de cultos que ainda é válido”, afirmou.