Uma juíza do tribunal de Utah, Estados Unidos, condenou nesta terça-feira Warren Jeffs, ex-líder de uma seita que prega a poligamia, a pagar US$ 16 milhões (cerca de R$ 50 milhões) de indenização por danos a Elissa Wall, induzida por ele e sua igreja a se casar em 2001, com apenas 14 anos, com um primo de 19. As informações são da rede local Fox News.

“O julgamento proferido pela Corte é um grande passo adiante na luta por uma declaração forte e imutável ao mundo de que ninguém, especialmente crianças, pode ser sexualmente explorado e abusado em nome da religião”, disse Wall em comunicado enviado à emissora após receber a sentença.

“A mensagem enviada por esta sentença será esperançosamente ouvida como um aviso alto e claro para qualquer um que opte por agir da mesma maneira que Warren Jeffs e a Igreja FLDS (sigla de Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Últimos Dias, em tradução livre)”, completou.

Em sua decisão, a juíza Keith Kelly escreveu que “Warren Jeffs exerceu controle, poder e autoridade absolutos sobre a vida de (Wall) para que ele pudesse exigir que ela, como jovem, entrasse em um casamento espiritual ilegal”.

“A condução de Warren Jeffs e da Igreja FLDS foi tão extrema que ultrapassou todos os limites possíveis de decência e é considerada atroz e totalmente intolerável em uma sociedade civilizada”, acrescenta o texto.

Nem Jeffs nem a igreja se defenderam neste processo, que se estendeu por quase uma década. O líder de 61 anos está preso desde 2006, sendo que cinco anos depois foi condenado à prisão perpétua, por abusar sexualmente de uma das jovens menores de idade que eram suas “esposas espirituais”.

No caso de Wall, Jeffs se encarregou pessoalmente de organizar o casamento dela com o primo e ainda comandou a cerimônia. Ele ainda aconselhou os dois a terem filhos após a união – as tentativas terminaram com um aborto e depois um bebê natimorto.

A seit de Jeffs teve origem no Mormonismo e defendia que quem adotasse a poligamia seria premiado após a morte. Estima-se que ela chegou a ter ao redor da América do Norte mais de 10 mil fiéis, que viam o líder como o porta-voz de Deus na Terra.

Wall afirmou que ela sofre até hoje, 16 anos depois, de problemas decorrentes do seu relacionamento forçado, como baixa autoestima. Com 30 anos e feliz num novo matrimônio, ela classificou a sentença como uma vitória de “milhares de vítimas de abuso”, mas disse que agora pode “se concentrar em construir um futuro melhor para mim e para meus filhos”.

Fonte: UOL