Um líder católico sênior na Síria está pedindo aos jovens cristãos que permaneçam no país devastado pela guerra, apesar da contínua violência e perseguição que enfrentam.

“A onda de emigração de jovens é quase comunal, especialmente na Síria, mas também no Líbano e no Iraque e isto quebra meu coração, me ferindo profundamente e me dando um golpe mortal”, disse Patriarca greco-melquita, Gregorios III em uma carta aberta, de acordo com a ‘Catholic Herald’.

“Dada esta tsunami da emigração… qual futuro é deixado para a Igreja? O que será de nossa pátria? O que será de nossas igrejas e instituições?”, perguntou Gregorios.

[img align=left width=300]https://thumbor.guiame.com.br/unsafe/840×300/bottom/smart/media.guiame.com.br/archives/2015/09/03/3715618275-siria-guerra.jpg[/img]Cristãos na Síria encontram-se no fogo cruzado de uma guerra que já dura quatro anos, entre vários grupos rebeldes que procuram derrubar o regime do presidente Bashar al-Assad. Eles têm sido as principais vítimas de bombardeios que destruíram inúmeras igrejas e bairros inteiros em cidades de todo o país.

Os cristãos também foram fortemente marcados como alvo pelo grupo terrorista Estado Islâmico, que tem raptado centenas de assírios em numerosas incursões, exigindo que sejam pagos resgates pela libertação das vítimas e ameaçando as mulheres de serem transformadas em escravas sexuais.

Cerca de 450 mil sírios cristãos fugiram de suas casas desde 2011, e agora estão internamente deslocados ou vivem no exterior como refugiados.

Gregorios reconheceu os problemas que cristãos que permanecem na Síria enfrentam, mas ainda pediu-lhes que pernamencessem no país e apoiassem a Igreja.

“Apesar de todo o sofrimento, fiquem! Sejam pacientes! Não saiam! Fiquem pela Igreja, sua terra natal, pela Síria e seu futuro! Fiquem! Fiquem”, pediu o líder católico.

Outros líderes cristãos, como o Bispo Yatron Koliana da Igreja Assíria do Oriente, no Líbano, disseram que mais de 15 mil famílias na Síria poderiam estar em perigo, perseguidas por militantes islâmicos.

Koliana disse que muitos dos assírios deslocados têm o desejo de retornar às suas comunidades, mas isso vai depender de como os “países fortes têm interferido neste momento de crise da Síria”.

“Esperamos muito sinceramente que países como a Rússia e os Estados Unidos ouçam o nosso pedido de ajuda, lançado por seus irmãos cristãos no Oriente Médio”, disse o bispo.

Grupos humanitários, como a Organização Mesopotâmica Americana (AMO), advertiram que as milícias do Estado Islâmico estão realizando um massacre étnico-religioso e criticou os líderes mundiais por não fornecerem uma resposta adequada.

“Embora nós apreciemos os esforços da República da França em convocar uma sessão de emergência do Conselho de Segurança em março deste ano, para discutir a limpeza étnica em curso de cristãos assírios, Yezidis e outras minorias étnico-religiosas do Iraque e da Síria, ainda não foi tomada nenhuma medida para deter este massacre em curso. É como se a comunidade mundial considerasse que a situação vai resolver-se se for ignorada”, disse o presidente da AMO, David William Lazar, em julho.

[b]Fonte: Guia-me[/b]