Deolinda Machado, a “católica da CGTP” (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), como é conhecida no meio sindical, disse á Lusa que gostaria que o governo de José Sócrates tivesse “mais em conta os critérios evangélicos”.

“Se nos horizontes deste governo estivessem mais presentes os critérios evangélicos, não tenho dúvidas de que as políticas seguidas seriam mais justas para todos os portugueses”, disse Deolinda Machado, dirigente da comissão executiva e membro do Conselho Nacional da CGTP.

Formada em Ciências Religiosas, mestre em Ciências da Educação, Deolinda Machado é tratada nos meios sindicais como “a católica da CGTP”.

A atual política social em Portugal é, para Deolinda Machado, “católica”. “Se não fossem as políticas levadas a cabo por imensas mulheres e homens voluntários que dinamizam as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) neste país, nem imagino como estaria Portugal no que diz respeito a ação social”, salientou.

Dirigente nacional de um sindicato onde “todos têm lugar”, Deolinda nunca sentiu qualquer “falta de respeito” por parte dos colegas da CGTP sobre o fato de ser católica, ir à missa e “praticar os ritos católicos”.

“Participo nas discussões todas e voto de acordo com a minha consciência porque não aceito que seja possível violá-la”, disse.

“O objetivo do sindicalismo e da religião é o mesmo: Defender a dignidade da pessoa humana e transformar o mundo tornando-o mais justo, mais pacífico e mais solidário”, citou a sindicalista natural de Vila Nova de Famalicão, mas vivendo em Lisboa.

“Sou católica, praticante, fui catequista e formadora de catequistas na arquidiocese de Braga mas não sou menos livre ou independente por isso”, frisou.

A distribuição da riqueza e a concentração de bens, “tal como está”, merecem o repúdio da dirigente da CGTP.

“É inaceitável e imoral que, com tanta riqueza produzida, ainda morra tanta gente de fome e aumente o número de pobres, mesmo entre quem trabalha”, disse.

Em época natalina e “de forte contestação social”, Deolinda Machado troca a compra de prendas por encontros com trabalhadores, reuniões com dirigentes sindicais e atividades na Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos.

No referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez fez campanha pelo “sim” e votou “em consciência”.

“Num possível referendo sobre a união de homossexuais e a despenalização do consumo de drogas, votaria em consonância com a minha consciência, com coerência e não com hipocrisia”, finalizou Deolinda Machado.

Fonte: Lusa