Líderes cristãos do Sudeste Asiático, entre eles o chefe da Igreja Anglicana de Mianmar, arcebispo Samuel San Si Htay, anunciaram hoje seu total apoio à revolta dos monges budistas contra a Junta Militar birmanesa.

“Oramos pela paz, pelo futuro do país” e para que os monges sejam capazes de acabar com mais de quatro décadas de regime ditatorial, disse Si Htay, exilado na Tailândia.

O secretário-geral da Conferência Cristã da Ásia (CCA), Prawate Krid-arn, elogiou o papel dos bonzos birmaneses. Ele destacou o trabalho dos religiosos para ajudar o povo “a superar as condições desumanas a que tem sido submetido há tanto tempo”.

“As valentes manifestações nas cidades são um sinal claro de que o povo não está disposto a se dobrar aos ditadores militares”, acrescentou.

O líder da CCA, com sede em Bangcoc, acrescentou em carta enviada ao Conselho de Igrejas Cristãs de Mianmar que “a espiritualidade libertadora do budismo e outras religiões é uma força capaz de resistir sem violência aos poderes demoníacos que controlam o país há décadas”.

A maior autoridade cristã da Malásia, reverendo Hermen Shastri, disse que espera que o desenvolvimento dos eventos leve a “uma nova era de democracia e paz” em Mianmar. “É comovente ver tantos religiosos à frente da resistência”, afirmou, em outra nota publicada por vários grupos cristãos.

Mianmar tem cerca de 50 milhões de habitantes, com 89% de budistas. Mas 4% são cristãos, uma herança do período colonial britânico.

Tropas invadem mosteiros e prendem monges em Mianmar

Forças de segurança invadiram pelo menos seis mosteiros e prenderam cerca de 200 monges budistas na madrugada desta quinta-feira, depois do nono dia de protestos contra o governo militar de Mianmar (a antiga Birmânia).

Segundo testemunhas, os soldados invadiram os mosteiros no meio da noite, quebrando janelas e espancando os monges que dormiam.

Dois importantes membros do principal partido da oposição, a Liga Nacional para a Democracia, também foram presos.

Há informações de que cinco pessoas morreram nos protestos de quarta-feira, em choques com a polícia.

O Conselho de Segurança da ONU pediu calma à junta militar que governa o país.

Segurança

Segundo o embaixador britânico em Mianmar, Mark Canning, a polícia e o Exército aumentaram sua presença nas ruas de Yangum, a capital do país.

“Há caminhões cheios de soldados em vários pontos da cidade – parece mais do que havia ontem”, disse Canning à BBC.

“Há caminhões de incêndio, com jatos d’água, posicionados em vários pontos – cerca de três deles estão em frente à prefeitura. Também há vários camburões espalhados.”

As forças de segurança também ergueram barricadas com arame farpado em volta da Pagoda Shwedagon e da prefeitura, onde os manifestantes vêm se concentrando nos últimos dias.

Há expectativa é de mais protestos nesta quinta-feira. Foram circulados panfletos pela cidade pedindo aos manifestantes que voltem às ruas em solidariedade aos monges, que vêm liderando as marchas.

ONU

Ainda não há indicações de que o governo militar esteja pronto para ouvir os pedidos de calma vindos de todo o mundo, segundo o correspondente da BBC no suld a Ásia, Jonathan Head.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência em Nova York.

Os Estados Unidos e a União Européia queriam que o Conselho considerasse a imposição de sanções, mas a tentativa foi rejeitada pela China.

Os membros do Conselho então “expressaram sua preocupação e pediram calma, especialmente do governo de Mianmar”, disse o embaixador francês Jean-Maurice Ripert.

O Conselho também planeja mandar o enviado especial da ONU Ibrahim Gambari para a região e pediu às autoridades de Mianmar que recebam ele “o mais rápido possível”.

A China e a Rússia argumentam que se trata de uma questão interna. Os dois países vetaram uma resolução da ONU crítica ao governo militar de Mianmar em janeiro passado.

Analistas temem uma repetição da violência de 1988, quando tropas abriram fogo contra manifestantes durante protestos pró-democracia, causando a morte de cerca de 3 mil pessoas.

Os recentes protestos começaram depois que o governo decidiu dobrar o preço do combustível no mês passado, afetando duramente a população do país empobrecido.

Fonte: EFE e BBC Brasil